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WHAZUUP?!
PQOGSPN?! é uma história idiota sobre três amigos idiotas que um monte de gente legal curtiu.



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POSTTTTTTTTTT NOVO NA PQOGSPN! Continuação do capítulo 122. Clica aqui pra ler!

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VAAAAAAAAAAAAAAAAI

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Capítulo 122 - Só pra variar.

Ver a Luiza ali, sentada na minha cama e me olhando congelou minha espinha. Toda aquela história bizarra dela passou como um filme na minha cabeça. Um pesadelo, se posso chamar assim. Ela vestida de gatinha e a gente ficando na festa a fantasia, depois ela dormindo por uns dias na minha casa sem nem me perguntar se podia, até que estranhamente ela começa a perguntar coisas do meu passado como se já me conhecesse há anos. Mas o pior, o pior mesmo, foi ir até a casa dela naquele dia e os pais dela me tratarem como se fossemos namorados. Eles praticamente me imploraram pra não brigar com ela nem chamá-la de louca quando descobri que a guria ainda tinha 13 anos. Mas eu não consegui. E pensei que depois daquele esporro no meio da rua, ela nunca mais fosse aparecer. Mas apareceu.

Eu: O que tu tá fazendo aqui?! Quem te deixou entrar?

Luiza: Calma, eu só…

Eu: Responde logo, caralho!

Luiza: Eu não sei, eu não conheço…

Eu: Não vem com essa! Tu sabe até o nome do hospital em que eu nasci se bobear!

Luiza: Foi um amigo do Dudu. 

Eu: Eu sabia… O Matt não ia te deixar entrar.

Luiza: Ele tava entretido com o video game quando eu passei pela sala.

Eu: Fala logo. O que tu quer? 

Luiza: Nada, eu só…

Eu: OU MELHOR, não fala merda nenhuma! Cala a boca e some, cara!

Eu abri a porta do quarto e apontei pro corredor pra que ela saísse.

Luiza: Thom, calma, eu vim em paz.

Eu: Mano, eu não quero paz, nem guerra, nem nada contigo. Fica longe de mim. Bem longe.

Luiza: Tudo bem. 

Eu: Vai pra tua casa, vai pra tua escola que tu deve estar na sexta série, vai pra puta que o pariu.

Luiza: Deixa eu só dizer o que eu vim dizer.

Respirei fundo. Não sabia se eu tava a fim de ouvir. Ia entrar por um ouvido e sair pelo outro. Mas eu senti que, se não a deixasse falar, ela não iria embora nunca.

Eu: Fala logo.

Luiza: Fecha a porta.

Eu: Não. Fala logo.

Luiza: Fecha a porta. É melhor pra ti.

Eu: FALA, CARALHO!

Luiza: De verdade, tu não quer que o Matt venha aqui ver o que tá acontecendo.

Bufei e fechei a porta. Eu só queria me livrar daquela situação logo. Eu ainda tinha que ir pra porra do Z Club falar com o Digo. Ele fava me esperando.

Luiza: Desculpa.

Continuei quieto, parado, esperando ela continuar.

Luiza: É isso.

Eu: É isso?!

Ela fez que “sim” com a cabeça.

Eu: Tu não poderia ter me mandado uma mensagem no celular?!

Luiza: Thom, sério, é importante pra mim. Te peço desculpas de coração.

Eu: Beleza, vamos “ficar de bem”, como vocês dizem no prézinho. Agora vaza daqui.

Luiza: Essa tua arrogância toda ainda vai te fazer muito mal.

Eu: Tudo que eu precisava agora era de conselho de guria de 13 anos. Pode crer.

Luiza: Engraçado que teu irmão tem a mesma idade e tu acha ele o máximo.

Eu: MANO, DEIXA MEU IRMÃO DE BOA! - aí eu fiquei puto.

Luiza: Ah, ele não tem mais 13, né? Ele fez aniversário.

Eu: Tu ainda me persegue? A troco de quê?

Ela não respondeu. Eu sabia que aquela maluca era a fim de mim, mas o que ela fazia passava de todos os limites.

Luiza: Eu só queria te pedir desculpas. E dizer que a minha intenção não era deixar o Carlão com raiva de ti.

Eu não consegui responder. Fiquei de boca aberta e senti meu sangue ferver.

Luiza: Não queria estragar a amizade de vocês.

Eu: SUA DOENTE DO CARALHO!

Ela arregalou os olhos.

Eu: POR QUE TU TINHA QUE FALAR COM ELE, CARALHO?! 

Luiza: Thom, calma…

Eu: POR QUE TU NÃO VEIO AQUI DIRETO, SUA VACA?

Luiza: Por causa disso! - ela me apontou. - Por que tu ia agir assim!

Eu: LÓGICO! PROCURA UM MÉDICO, CARA! PUTA QUE O PARIU!

Minha vontade era de socar a cara dela, mas tive que me contentar em socar minha própria mão. Aquilo fez com que eu me acalmasse um pouco, ou pelo menos tentasse pensar racionalmente. Dava pra ver que ela tava com os olhos cheios de medo.

Eu: O negócio é o seguinte.

Ela engoliu seco.

Eu: Eu já devo ter te falado isso antes. Mas vou falar de novo, só pra garantir. 

Luiza: Thom…

Eu: Fica na sua.

Os olhos dela começaram a se encher de lágrimas. E eu não dei a mínima pra aquilo.

Eu: Eu nunca. Nunca. NUNCA vou querer nada contigo.

Luiza: Eu não qui…

Eu: Eu não quero ser o namorado que tu mente que eu sou pros teus pais, não quero ser teu amigo, não quero que tu venha aqui, não quero que tu fale com meus amigos, não quero que tu fale com meu irmão, não quero saber que tu existe.

Luiza: Eu sou amiga dos teus amigos, não tem jeito, eu…

Eu: Ninguém é teu amigo. Se eu pedir pra eles escolherem entre mim e tu, ninguém mais vai falar contigo.

Ela sacudiu a cabeça em negativo.

Eu: Então me poupa desse trabalho e para de falar com eles. Some.

Luiza: O Luc não vai deixar de falar comigo.

Eu: O Luc não é trouxa. 

Luiza: O Sick Boy também é meu amigo.

Eu: O Sick Boy manda em todo mundo que tu chama de amigo. Não seja burra e se afasta.

Luiza: Isso não é certo. Tu não tem ideia do quanto isso é errado. - ela começou a chorar.

Eu: Tudo bem, não precisa deixar de falar com eles. Só não quero mais te ver na vida. Então, quando tu souber que eu vou estar em algum lugar, como tu sempre sabe, não esteja lá.

Luiza: Thom…

Eu: Entendeu?

As lágrimas escorriam no rosto dela.

Eu: E se for falar com algum deles, não fale sobre mim. Finge que eu não existo assim como vou fazer contigo.

Luiza: Eu não posso.

Eu: De verdade, vai ser melhor pra ti e pra tua sanidade mental. Tu ainda é criança, isso é só uma paixonite passageira. Quanto menos tu me encontrar, mais rápido vai passar. 

Luiza: Eu não SOU criança.

Eu: Some.

Luiza: Tu vai te arrepender.

Eu: Vaza daqui.

Luiza: Eu vou contar p…

Eu: Pode contar pra quem tu quiser que eu sou do Z Club e sei lá quais outros podres tu sabe da minha vida. Tu acha que vão acreditar em mim ou numa criança maluca feito tu?

Ela mordeu o próprio lábio, passou por mim, abriu a porta do quarto e saiu. E eu finalmente pude respirar aliviado. Me sentei na cama e fiquei desejando não encontrar aquela mina nunca mais. Parece besteira, parece paixonite de escola, mas no fundo, eu sei que aquela mina tem problema. E eu me lembro bem do que aconteceu na última vez em que deixei alguém com problema entrar na minha vida. 

Abri a gaveta do guarda roupa pra pegar a grana do Z Club. Eu tava com um pressentimento ruim de que a retardada da Luiza pudesse ter roubado alguma coisa, mas encontrei todas as notas lá. Peguei o que tava faltando de dinheiro e parti em direção ao Z Club.

Na sala da república, encontrei o Matt jogando video game. Mas dessa vez, a minazinha dele tava do lado. Sim, a guria veio pra república ficar assistindo o Matt jogar video game. Isso vai dar merda.

Eu: Falou.

O Dudu, os amigos e a guria responderam, mas o Matt fava tão entretido que nem me viu sair. 

No caminho até o Z Club, só conseguia pensar na Luiza fodendo com a minha parceria com o Carlão. Eu precisava dar um jeito de falar com ele e explicar o que tinha acontecido. Ela só tava enchendo o saco dele pra saber sobre mim e alimentar seu espírito stalker, não pra saber sobre drogas, ou sobre o Z Club, ou sei lá o quê. Ela não representava nenhum risco pra ele. E ele precisava saber disso pra voltar a ser meu brother. Eu precisava de um amigo como ele naquele lugar. 

Puta merda, o Digo devia estar puto comigo. Eu falei que tava indo pra lá e ele disse que precisava sair, mas que ia me esperar. E eu tive que me atrasar por causa da confusão com a Luiza. Espero que ele fique feliz com a quantidade de grana que eu to levando e esqueça disso. Eu não via a hora de entregar a grana, pegar minha parte, pegar mais um pouco de Crystal e voltar pra casa pra dormir. Se eu dormi 20 minutos depois da festa, foi muito.

Chegando no Z Club, entrei sem bater. No bar da entrada, não tinha ninguém. Na sala do bar, onde rolavam as festas e tinham as portas para todas as outras salas, inclusive a do Doctor, também não tinha ninguém.

Eu: Alguém?

Perguntei pra ver se alguém me respondia, mas o silêncio continuou. Que estranho. Sempre tem gente nesse lugar.

Eu: TEM ALGUÉM? É O THOM! Eu vim trazer a grana e…

Ninguém me respondeu, mas ouvi um barulho estranho, tipo de madeira batendo. Foi tão inesperado que eu não tive certeza se ouvi aquilo mesmo.

Eu: DIGO? ROD?

Dessa vez, o som foi tão alto e nítido que eu não tive dúvidas. Parecia alguém batendo numa porta ou parede de madeira. E o som continuou, como se quisesse eu o seguisse. Meu coração acelerou, mas eu não conseguia ir embora sem saber o que fava acontecendo. Caminhei pelo salão que, como sempre, estava com a iluminação bem baixa, difícil de enxergar. Quando pensei que o barulho pudesse estar vindo de uma das portas, tentei abri-la, mas estava trancada. 

Eu: Tem alguém aí dentro?

O barulho continuou, e foi ficando cada vez mais desesperado. Mas não parecia estar vindo daquela porta. Era na porta seguinte.

Caminhei até onde eu achava que pudesse ser e, pra minha surpresa, a porta tava destrancada. Eu abri, mas era tão grossa e pesada que eu parecia estar empurrando uma pedra.

Eu: Digo?

Eu pensei que fosse morrer engasgado com a minha própria respiração, porque o susto que eu levei não foi parecido com nada que eu ja senti. Dentro da sala, vi um cara sentado numa cadeira, amarrado e com a boca vendada por uma fita.

Eu: Que porra é essa?!?!?!

——— CONTINUAÇÃO AQUI —————

Eu fiquei tão assustado que não conseguia respirar. Eu tentava, mas parecia que não cabia mais ar nos meus pulmões. Minha vontade era de fechar aquela porta e sair correndo, mas não me parecia certo. Na real, tudo era tão bizarro que eu nem sabia o que achar certo. Só sei que, por algum motivo, minhas pernas não me deixaram ir embora, e eu decidi ficar pra meio que ajudar o cara. Mas como eu ia fazer isso?!

Eu: Que porra é ess…?

O cara amarrado na cadeira parecia estar dormindo, porque estava de cabeça baixa. Quando me ouviu, levantou os olhos e me encarou. Se o “medo” pudesse ser materializado, com certeza seriam os olhos daquele cara. Tive a impressão de que ele tava machucado, tipo com uns roxos e cortes no rosto. Mas eu não pude fazer nada, e nem ele. Tão rápida quanto a reação dele foi o Rod que apareceu atrás de mim. Pude ouvir o cara berrando lá dentro antes de a porta bater na minha cara.

Cara: NÃÃÃOOO-

Ele soltou um “não” longo, mas foi interrompido pela porta fechada. Ela era grossa o suficiente para abafar o som.

Eu não sabia se falava, se berrava, se fugia, se tremia, nada. Minha cabeça ficou uma bagunça de tanto medo e tensão.

Eu: Que porra é essa, cara? Que porra… Que porra é essa? Que porra foi essa? Que… - minha voz saía trêmula pra caralho.
Rod: Por que tu sempre se mete onde não foi chamado? - ele falava com a calma de um monge.
Eu: Que PORRA É ESSA, CARALHO? Tem um cara ali dentro AMARRADO NUMA CADEIRA!

Pareceu que meu cérebro deu um clique e eu caí na real do que tava rolando. Até aquele momento, tudo parecia um pesadelo. Mas ver a cara de filho da puta do Rod me fez acordar. O medo liberou tanta adrenalina no meu corpo que eu pouco me fodi pra quem o Rod era e pro tamanho do braço dele, e voei na porta pra tentar abri-la.

Eu: TEM UM CARA AÍ, CARALHO! - eu socava a porta. - ABRE ESSA MERDA!
Rod: Porra, moleque do caralho! - ele começou a ficar puto, mas não tirou a mão da maçaneta.

Um mísero empurrão do Rod foi o suficiente pra ele conseguir me afastar da porta. Minha respiração ficou ofegante e eu sentia meu corpo inteiro suar. Parecia que eu tinha corrido uma maratona.

Rod: Moleque, é bom tu…
Eu: O que que é isso, cara?

Meus olhos chegaram a ficar úmidos. Era difícil admitir, mas eu tava com vontade de chorar. Eu já tinha visto muita merda na vida até aquele momento, mas nunca um cara aparentemente sendo torturado numa sala. Não ao vivo. Eu não sabia o que pensar. Ainda mais se tratando do Z Club, do Rod e de tudo mais.

Rod: Thomaz, é o seguinte…

Desde o primeiro dia em que botei os pés no Z Club, o Rod nunca tinha me chamado de “Thomaz”. Era sempre “moleque”, “seu moleque”, “seu moleque do caralho”.

Eu: Eu-eu-eu vi que o tá rolando lá dentro, cara! - eu tava tão nervoso que não conseguia ficar quieto.
Rod: Me deixa falar.

Ele me apontou o dedo e se aproximou.

Rod: Primeira coisa. É tua obrigação avisar sempre que estiver vindo pra cá.
Eu: Pra tu não torturar gente na minha FRENTE? TEM UM MALUCO SEQUESTRADO! NA SALA!!! NA SALA AQUI DO LADO! - eu até cuspia enquanto berrava.
Rod: Aqui não é empresa de coxinha, Thomaz. - ele manteve a calma. - Se alguém atrapalha, a gente não liga pro setor de advocacia.

Meu cérebro deu o segundo clique. Eu ainda tava com dor de cabeça e o rosto fervendo, mas nessa hora eu percebi que era melhor ficar quieto. Eu ainda tava em choque, ainda achava absurdo tudo aquilo, mas sabia que aquele devia ser só um detalhe de algo muito maior que eu. Aqui eles não ligam pro setor de advocacia. Eles resolvem por si mesmos.

Rod: Tu veio procurar o Digo?
Eu: Sim.
Rod: Ele saiu.

Engoli seco. Ele deve ter ficado me esperando quando eu disse que estava vindo da faculdade pra cá, mas a Luiza me fez atrasar, e ele desistiu de me esperar.

Rod: Volta amanhã.
Eu: Eu preciso deixar m…
Rod: Volta amanhã.

Eu nunca tinha abaixado a cabeça pro Rod, mesmo com todas as provocações dele. Mas dessa vez, eu não tinha forças pra retrucar. O melhor que eu fazia era ir embora e voltar amanhã. Minha vontade era de não voltar nunca. Voltar seria tipo confirmar de que aquilo não tinha sido um pesadelo.

O Rod vigiava meus passos enquanto eu ia embora. Eu não sabia o que pensar, não sabia o que fazer, não sabia pra onde ir. Ver aquela cena me mudou de um segundo pro outro. Eu saí do Z Club e botei os pés na calçada imaginando que eu fizesse parte de um filme. Nada parecia real. Pensei em me sentar na sarjeta pra pensar, porque não tava a fim de ir pra lugar nehum. Mas eu não queria ficar tão perto. Ficar perto me fazia ainda mais cúmplice.

O que aquele maluco fez? Por que ele tá ali? Há quanto tempo? Foi o Rod que fez tudo aquilo? As mãos dele nem tavam sujas. Eu tava prestes a ficar louco com aquela história.

Algo me dizia que eu só tinha visto aquilo porque o Digo pensou que eu não fosse mais aparecer. Ele deve ter comentado com o Rod, saído, e aí o Rod ficou à vontade pra fazer as doideiras dele.

Eu me sentia tão mal por não ter feito nada. Que tipo de homem eu sou? Eu vejo um maluco apanhando covardemente e nem pergunto o porquê. Nem tento impedir. Por outro lado, parte de mim achava que eu tinha feito a coisa certa em não me meter. Não sei. Minha cabeça tava uma bagunça.

Eu espero muito que ele só estivesse lá porque fez alguma merda. E mereceu ser amarrado e apanhar. Mas e se não? E se o Rod for mesmo um maluco? Eu tenho quase certeza de que ele é. Por que eu fui embora sem fazer nada? Eu sou um lixo. Tão lixo quanto quem bateu no cara.

No caminho até a república, me bateu um desespero, quase um pânico. Eu precisava ajudar aquele brother. Ou pelo menos descobrir se ele tava sendo castigado por um bom motivo. Vindo do Rod, eu não sei o que esperar. Se eu tivesse encontrado o Digo lá, eu acreditaria se ele me dissesse que tava fazendo justiça. Mas o Rod, eu não ficaria surpreso se soubesse que ele tava batendo num cara por diversão.

Falando no Digo… Isso aconteceu enquanto ele não tava lá. Ele não deve saber. Será que ele sabe? Não. Ele não deve saber. O Digo é gente boa. Desde o dia em que a gente se conheceu, nunca o vi dar nenhuma mancada, nem comigo e nem com ninguém. Ele tem palavra e parece ser justo com as coisas. O Rod deve fazer pelas costas dele, por isso tentou me ameaçar hoje. Ele não deve querer que eu conte pro Digo. Mas vai ser isso mesmo que eu vou fazer.

Ter aquela ideia me fez sentir como se eu tivesse entrado na sala do brother e o desamarrado da cadeira. Eu vou contar pro Digo e vai ficar tudo certo. Quem sabe isso abra os olhos dele e eu deixe de ser o único que acha o Rod um doente mental.

Fred: Que demora, Thomaz!

Eu tava tão afundado nos meus pensamentos que nem me liguei quando cheguei na república. Encontrei o Fred e o Matt sentados no chão, com as costas apoiadas no sofá, jogando video game. Na mesa, tinham outros três moleques que eu não conhecia. Eu nem sei por que a gente tem um sofá se ninguém senta nele. Deve ser pra apoiar as costas mesmo.

Eu: Demora por quê? Tu tava me esperando?
Fred: Tu tava fumando?
Eu: Não, eu…
Fred: CRACK?

Sacudi a cabeça, sem entender. Ele falava sem tirar os olhos da TV.

Fred: Hoje era o dia do campeonato, caralho!
Eu: Campeonato?
Fred: É. De Mortal Komba… MATHEUS, FILHA DA PUTA!
Matt: 3, 2…
Fred: Não te faz de maluco, Thommo. Eu te avisei.
Matt: 1.
Fred: AHHHHH LAZARENTO! - ele jogou o controle longe.
Matt: Próximo.

Um maluco que tava na mesa se levantou e foi pegar o controle.

Fred: Que lixo de jogo.
Eu: Não lembro de tu ter me avisado.
Fred: Tu que não lembra.
Eu: Tu não me avisou.

Cansei de discutir e saí andando pro meu quarto. Ele não tinha me avisado mesmo.

Fred: CLARO! Como vou te avisar se tu nem fica aqui mais? EI, onde tu vai?!

Bufei. Ele realmente não tinha me avisado. Idiota. Mas eu não podia discordar dele. Eu ando meio “sumido” mesmo.

Fred: Tu nunca aparece e quando aparece vai te trancar no quarto? Vai se fuder. Senta aqui e joga.

Voltei e me sentei no sofá. Por incrível que pareça. Olhei pra TV e vi o Matt e o guri jogando, e o Matt tava dando um pau nele, claro. O Fred começou a falar sobre alguma coisa que eu não tava a fim de prestar atenção, então fiquei com os olhos no jogo e a cabeça no Z Club. Eu não conseguia esquecer aquela cena de filme de terror. Aquele cara… Que bad.

Fred: E aí foi isso, tá ligado? Eu não fiz nada errado, eu acho.
Eu: É. - nem sabia do que ele tava falando.
Fred: Tipo, não tem nada de errado eu querer meu celular de volta, certo? Eu esqueci na casa da mina, ué.
Eu: É, então.
Fred: Não é culpa minha se ela ficou puta comigo e não quis abrir a porta. Só me restou pular a janela.
Matt: A mina tá puta contigo e não é culpa tua?
Fred: Cala a boca. Não to falando contigo.
Matt: Próximo.
Fred: MAS JÁ?

E o Matt matou mais um no video game.

Fred: Vai lá, Thom.
Eu: Ah, não. Nem to a fim.
Fred: JOGA, MANO!

Eu sinto todo o sangue do meu corpo subir pra cabeça de raiva quando o Fred começa a insistir nas coisas. Ele pegou o controle e empurrou no meu peito.

Fred: Joga essa bosta.
Matt: Eu vou parar, cara. To com dor no ombro.
Fred: Porra, Matt! Dor no ombro de bater punheta tu não fica, cuzão!
Matt: Não, na moral. Vou tomar um banho. Joga aí, Fezão.
Fred: Dá aí que eu jogo.

O Fred pegou o controle da mão do Matt e começou a escolher o “carinha” com quem ia jogar.

Fred: Joga aí, Thommo. Foda-se o campeoneto. Sem o Matt não tem campeonato.
Fezão: Com o Matt tem menos ainda. O moleque ganha tudo!

E todo mundo começou a rir. Quem são essas pessoas na minha casa? Acho que ainda não me acostumei a morar em república.

Eu tava com um pouco de preguiça, mas resolvi jogar. Aquilo podia me ajudar a esquecer um pouco o dia de merda que eu tinha tido. A aula de finanças, a Luiza retardada, o maluco do Z Club…

Fred: E aí, suave a aula?
Eu: Ah. Suave.
Fred: Mas orra, dura a tarde inteira, hein, mano? Tu ficou lá até agora?
Eu: Não, eu…

Ô, seu burro. Às vezes eu esqueço que preciso mentir.

Eu: Eu vim pra cá à tarde. Depois eu saí.
Fred: Saiu pra onde?
Eu: Pra dar uma volta.
Fred: Mina?
Eu: Não.
Fred: Porra, Thommo.
Eu: Na verdade sim.
Fred: Que mina?

Muito bem. Que mina eu vou inventar agora?

Eu: Ah. Tá ligado a Luiza?
Fred: Não.
Eu: Ela veio aqui à tarde, daí a gente foi dar um rolê.
Fred: Aí sim.

O Fred é mais fácil de enrolar do que parece. É só tu colocar uma guria no meio que ele nem questiona.

Fred: Ô, cuzão.
Eu: Tu é muito ruim no jogo, cara.
Fred: Tu é bom.
Eu: Eu não jogo isso faz uns nove anos. Tu que é ruim mesmo.
Fred: Ei, se liga. A mina do Matt colou aqui hoje.
Eu: A loirinha?
Fred: É. A das tattoo. Do bar. Ele pegou ela na Festa do Pijama mesmo.
Eu: Falou então, vó fofoqueira.
Fred: Vai te foder, mano. Eu vou fazer ele comer essa mina.
Eu: Tu vai o quê? - comecei a rir.
Fred: Meu objetivo de vida agora é o Matt comer essa mina.

O Fred falava com tanta determinação que parecia que ele ia comer a mina, e não o Matt.

Fred: Vou arranjar um rolê pra hoje. Na real, já arranjei.
Eu: Deixa o Matt, velho.
Fred: E tu vai junto.
Eu: Eu? Mano, sai dessa. Eu to passado desde a última festa, hoje meu dia foi uma bost…
Fred: Foda-se.
Eu: Que role é esse?

Eu ainda não tava a fim de ir, mas tava curioso. Eu não tava com cabeça pra sair. Queria ficar de boa pra pensar, ou fazer um rolê bem de boa. Pensei até em encontrar o Luc pra trocar uma ideia.

Fred: Ah. Uma balad…
Eu: BALADA?! Nem fodendo!
Fred: Ô, SEU ANIMAL! Deixa eu falar! BalaDINHA de rock.
Eu: Que “baladinha” de rock, cara? Desde quando a gente cola em “baladinha”?
Fred: Desde quando tu parou de sair com a gente, cuzão.
Eu: Hahahahah.
Fred: Muitas coisas mudaram.
Eu: Vai pro inferno. Hahah.
Fred: O Matt tá até pegando mulheres.
Eu: Fala sério.
Fred: Baladinha de rockzinho, pô. Pra levar as menininha.
Eu: Hahahaha. Falou.
Fred: Ou tu quer que o Matt leve a guria numa festa na minha casa pra ficar bem louco e vomitar no cabelo dela? Tem que ser um rolê de boa.
Eu: Saquei.
Fred: Mas não tão de boa a ponto de ele passar a noite trocando ideia sobre CÂMERAS FOTOGRÁFICAS ANALÓGICAS e não comer a mina.
Eu: HAHAHAHAH!

O Fred é engraçado até quando ele nem tenta ser engraçado.

Fred: Eu penso em tudo, cara.
Eu: To vendo. Se tu fosse tão competente assim em outros assuntos, tu tava rico.

Silêncio.

Eu: Ah, é.
Fred: Se liga, chama alguém pra ir contigo.
Eu: Como assim? Eu vou com vocês.
Fred: Não, caralho. Vai cada um com uma mina.
Eu: Que porra é essa de cada um com uma mina?
Fred: É. Depois vai rolar um swing tipo troca de casais.

Eu preferi não falar nada porque não sabia se ele tava zuando ou não. Eu espero qualquer coisa do Fred. Qualquer coisa mesmo.

Fred: To zuando.
Eu: Hm.
Fred: Mas na moral, leva alguém. Fala que vai ser um showzinho de rock.
Eu: Por que tem que ser tudo “inho”?
Fred: Porque a tua mãe tá com saud…
Eu: Beleza.
Fred: O negócio é o seguinte: se fosse só o Matt com a mina e nós dois sem ninguém, ele ia ficar preocupado que eu sumi, ia ficar conversando contigo, blá blá. Se eu fosse com uma mina e tu fosse sem, ele ia querer que tu ficasse com ele e a mina dele pra fazer companhia. Se formos nós três com alguma mina, ele vai ficar de boa com a mina dele. A gente tem que fazer ele manter o foco, tá ligado? Sem se distrair.
Eu: Tu realmente pensou em tudo.
Fred: Porra. Me matou, cuzão.
Eu: Tu é muito ruim.

Ele entortou a boca.

Fred: Alguém quer jogar?

Ele perguntou pros moleques que tavam bolando um beck na mesa, mas ninguém quis.

Fred: Vamo de novo então.

É. Já que eu tava lá sem fazer nada, topei. Era uma boa forma de me esquecer um pouco dos problemas. Nem que fosse só por alguns minutos.

Eu: O foda é que eu nem tenho quem chamar.
Fred: Como não?

Pareceu que eu disse algum absurdo.

Fred: Qual foi a última mina que tu pegou?
Eu: A Layla.
Fred: Tu pegou a Layla?! Na Festa do Pijama?
Eu: É.
Fred: Caralho. - ele sacudiu a cabeça. - Tem a faculdade inteira e parece que todo mundo pega as mesmas pessoas.

Pior que é verdade.

Fred: É, desencana. Mina do Dudu.
Eu: Tu vai chamar quem?
Fred: Uma mina do segundo ano. Amiga do Jota. Ela parece aquela mina do filme do Drácula que tem uns peitão.

Fred sendo Fred.

Fred: Ah, não. Essa é outra.
Eu: Da hora.
Fred: Chama a ruivinha gostosa lá.
Eu: A Clarissa?
Fred: Tu já pegou muita ruiva gostosa na vida? Me apresenta.
Eu: Hahaha.
Fred: Chama ela, velho.
Eu: Ah… É. Pode ser uma boa.
Fred: E me apresenta.
Eu: Tu já conhece ela.
Fred: E daí?
Eu: Cala a boca, vai. - eu ri.
Fred: Demorou. Assim que eu gosto de ver. Todo mundo ajudando na foda do Matt.
Eu: Mas como é esse lugar? A Clarissa é meio fresca. Dependendo de como for, nem rola chamar.
Fred: O QUE EU TE FALEI…
Eu: Mano, responde, eu só fiz uma pergunta.
Fred: HÁ MAIS DE UM ANO ATRÁS…
Eu: Eu só quero saber da porra do lugar!
Fred: SOBRE CAIPIRINHAS?
Eu: HAHAHAH! Que idiota!
Fred: Três, Thom! TRÊS! Enfia três caipirinhas bem feitas nessa mina que tu enfia qualquer outra coisa que tu quiser depois.
Eu: HAHAHAHAHAHAH!
Fred: Com todo respeito. Tu fica com essa mina há tanto tempo que ela é quase tua namorada! Liga pra ela logo e vamo agilizar.
Eu: Demorou, vai.

Soltei o controle e me levantei pra fumar um cigarro na janela e ligar pra Clarissa.

Fred: Ô! MAS NÃO LARGA O JOGO NO MEIO, CUZÃO!
Eu: Primeiro a foda do Matt.

Depois a minha. Depois o video game.
Eu queria encontrar o Luc pra fumar um e trocar ideia, colocar na minha cabeça no lugar. Mas dar uns pegas na ruivinha não ia me fazer nada mal também. Pelo contrário, ia me ajudar a relaxar, digamos assim.

——— CONTINUAÇÃO DO POST AQUI —————

Me apoiei na janela, acendi um cigarro e disquei o número da Clarissa. Chamou uma vez e parou, como se ela tivesse desligado.

Eu: Eita.
Fred: Vamo comer lanche da tia da pista antes de ir?
Eu: Onde fica esse rolê?
Fred: Perto da Vila Nova.
Eu: Mano, a pista fica do outro lado da cidade. Não viaja.
Fred: Mó vontade de comer um podrão.

Tentei discar o número da Clarissa de novo quando chegou uma mensagem dela:

"Não posso anteder agora. O que tu quer?"

Estranhei a mensagem meio curta e grossa, mas respondi chamando-a pra ir na baladinha de rockzinho do Fredzinho.

Fred: A tia da pista podia ficar milionária e abrir várias franquias de lanches pela cidade.

A Clarissa respondeu em segundos:

"Eu namoro agora, lembra? Beijios" . E só. Acho que foi o fora mais rápido que eu já levei.

Fred: Se bem que nem todas poderiam contar com a grosseria dela ao mesmo tempo. O “decide logo a porra do lanche” que ela fala faz parte da experiênci de comer lá.
Eu: Porra.
Fred: Pode crer. Também fico puto.
Eu: Não. A Clarissa.
Fred: Quem é Clarissa?
Eu: Caralho, Fred. Tu é osso.

Respondi e saí andando em direção ao meu quarto. Queria deitar por cinco minutos pra pensar sobre tudo o que tinha acontecido nas últimas horas. Eu tava cansado mais mentalmente do que fisicamente. Quando passei em frente ao banheiro, o Matt me chamou pelo vão da porta.

Matt: Ei.

Perguntei o que ele queria levantando o queixo.

Matt: Entra aí.

Entrei no banheiro e deixei a porta encostada, sem fechar, porque tava um vapor quente do inferno. O Matt tava com uma toalha amarrada na cintura, o cabelo molhado bagunçado e usando óculos, mesmo com as lentes embaçadas pelo vapor. Às vezes eu acho que ele não os tira nem pra tomar banho.

Eu: Fala.
Matt: Quem tu vai chamar pra ir hoje?
Eu: Como assim?
Matt: Eu sei o que tu e o Fred tão fazendo. Que guria tu vai chamar?
Eu: Eu ia chamar a Clarissa, mas…
Matt: Chama a Vicky.
Eu: Tá maluco? Ela e o Fred não podem se encontrar. Ele ainda deve estar com o corte aberto na boca.
Matt: Não, cara. Chama ela, na boa.
Eu: Tá viajando, velho?
Matt: Não… É que eu meio que prometi que ia dar um rolê com ela hoje. Tipo, pra conversar e tal. Ela ficou muito na bad com toda a festa, o Dudu, ela ter vomitado na frente da TV… Eu ia sair com ela hoje, aí o Fred inventou essa história de balada de rock.
Eu: Matt, Matt… Isso não vai dar certo.
Matt: Vai, Thom. Faz isso por ela. A mina tá muito chateada com tudo. Não custa nada.
Eu: Eu só fico pensando na cara do Fred quando a encontrar.
Matt: Vai ser até bom eles se encontrarem. Quanto antes eles resolverem isso, melhor.
Eu: É…
Matt: Concorda?

O Fred abriu a porta com uma toalha na mão, olhou pra mim, olhou pro Matt, olhou pra mim, olhou pro Matt.

Fred: Gays.

E saiu.

Eu: Beleza, vai.
Matt: Valeu. Valeu mesmo.
Eu: Não vou pegar ninguém nessa vibe que eu to mesmo.
Matt: Que vibe?
Eu: Ah… Essa vibe.

Às vezes eu falo demais, depois me arrependo. Olhei pra baixo pra não correr o risco de receber um raio x mental do Matt que o fizesse descobrir tudo que to escondendo sobre a minha vida.

Matt: É só por um dia. Só pra não deixar a Vicky sozinha em casa com vontade de ligar pro Dudu.
Eu: Tu é um bom amigo.

Ele me deu uns tapinhas no ombro, abriu a porta e saiu. O Matt pensa numas coisas que eu jamais pensaria. Quero dizer, a Vicky é gente boa, fiquei com pena dela na festa, mas caso a gente tivesse combinado de sair pra conversar e surgisse uma oportunidade de ir pra outro lugar pegar uma mina, eu ia pegar a mina. Ou melhor, eu nem chegaria e combinar com a Vicky de sair pra conversar. Não tenho essa sensibilidade toda, eu acho. Mas agora que o Matt plantou a semente do “cara legal” em mim, não vou deixar a guria na mão. O Fred tá indo com outra mina, se pá nem vai ligar pra Vicky. Acho que ele vai reclamar pela sapatada na cara, mas depois vai ficar bêbado e esquecer. Ele não é nem um pouco rancoroso. Talvez isso seja uma qualidade.

Fui pro meu quarto e fechei a porta antes de ligar pra Vicky. É arriscado falar o nome dela na casa onde moram o Dudu e o Fred.

Vicky: Alô?
Eu: Oi. É o Thom.
Vicky: Oi!
Eu: Oi.

Caralho, eu to chamando a Vicky pra sair. Isso é muito bizarro. Eu mal sabia o que falar.

Eu: Então. Tem um rolê hoje.
Vicky: Um o quê?
Eu: Quer ir numa balada de rock?
Vicky: Uma balada de rock?
Eu: Teu celular tá funcionando direito?
Vicky: Um show de rock, tu quis dizer…

Não sei, só to repassando a informação.

Eu: É.
Vicky: Ah. Quero.
Eu: Vai o Matt, e tal. E umas minas.
Vicky: E o Fred, né?
Eu: É. Mas tu sabe, ele vai levar uma mina. Não precisa te preocupar.
Vicky: Aham.
Eu: E o Dudu não vai.

Silêncio.
Nem sei por que eu falei isso. Na real, eu quis ajudar, mas depois percebi que tinha falado besteira.

Vicky: Ah… Tá.
Eu: Não que tu precise evitar os lugares em que ele vai.
Vicky: É…
Eu: Tipo, não precisa ficar na bad com a existência dele. Ele às vezes é idiota, mas…
Vicky: Eu vou, tá bom?
Eu: Beleza. Te passo o endereço por mensagem. Até.

Desliguei. Isso foi muito estranho. Peguei uma toalha no guarda roupa, dei meu celular pro Matt enviar a mensagem pra Vicky com o endereço e fui tomar banho. Quando liguei o chuveiro, ouvi o Fred batendo na porta.

Fred: Ô, FILHA DA PUTA! ERA MINHA VEZ!

Se ele tá bravo comigo porque entrei no banho antes dele, imagina quando souber que eu chamei a Vicky pra sair antes dele.

Tentei usar aquele banho como uma forma de lavar de mim todas as coisas bizarras que tinham acontecido no dia, mas não adiantou muito. Era só eu fechar o olho que o cara amarrado na cadeira aparecia na minha frente. Ensanguentado, levando umas surras do Rod e preso lá há não sei quanto tempo. Parecia que todo o oxigênio do banheiro sumia quando eu pensava naquilo.

Saí, fui pro quarto me trocar e, por um tempo, aquelas cenas sumiram da minha cabeça. Viver aquela vida comédia com o Matt e o Fred me faziam esquecer a vida tensa que eu levava longe deles. Terminei de me trocar e abri a porta. O Matt apareceu na minha frente.

Matt: Como eu to?

Camisa xadrez, calça preta, tênis, cabelo liso mal penteado. Tava como sempre.

Eu: Tá da hora, cara.
Matt: A gente vai comer alguma coisa por lá? - ele me entregou o celular.
Eu: Acho que sim. To com uma puta fome. Qual o metrô mais próximo?
Matt: A Raíssa tem carro. - percebi que ele falou mais baixo que o normal.
Eu: Quem?
Matt: A mina… Do bar… Ela tem carro.
Eu: Ela vai passar aqui?!

Ele fez que “sim” com a cabeça.

Eu: Caralho, Matt.
Matt: O quê?
Eu: Nada.
Matt: Que foi?!
Eu: Nada, cara.

Comecei a rir sozinho. O Matt nunca pega ninguém, mas quando pega, a mina é gata, tem carro e ainda vem buscar ele.

Eu: Ela é mais velha?
Matt: Um pouco.

E é mais velha. Só sacudi a cabeça olhando pra ele.

Matt: Quer jogar? O Fred deve demorar.

Deve demorar? Ele sempre demora. Eu sabia que ia levar um pau do Matt no video game, mas topei pra passar o tempo.

Enquanto a gente jogava e o Fred se produzia como uma guria, o Felipe chegou em casa com a Marcela.

Felipe: E aí.

Ele nos cumprimentou quando passou pela sala. A Marcela veio logo atrás mas fingiu que não nos viu. Eu sequei tanto a bunda dela que acho que deu tempo do Matt me matar umas três vezes.

Quando o Fred finalmente ficou pronto, o Matt ligou pra guria e ela chegou em minutos. Devia já estar na esquina só esperando o telefonema. Não era possível.

Eu: Alguém quer fumar um antes de ir?
Fred: A mina tá aí embaixo já.
Eu: Chama a mina pra fumar, ué.
Fred: Não. Vamo embora.
Eu: Que pressa é essa, cara? Tu vai encontrar a Mirella lá por acaso?
Fred: Vou encontrar a tua mãe.

Eu já tava cansado de falar que aquele negócio de mãe não tinha mais graça, então só ignorei.

Eu: Vamo então, vai.
Fred: A gente fuma lá.

O Matt nem falava com a gente, só ficava mexendo no celular. Devia estar falando com a mina. Ele saiu andando na frente e eu e o Fred fomos atrás. Nas escadas, o Fred falou baixo comigo.

Fred: O Matt não pode fumar agora. Tu tá ligado como ele fica.
Eu: Como ele fica? NORMAL?
Fred: Fala baixo.
Eu: Ele nem ta ouvindo.
Fred: Se ele fumar e beber muito o negócio pode não subir.
Eu: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Fred: HAHAHAHAHA! É REAL!
Eu: Ele tem dezoito anos, cara! Se ele fumar um canavial de maconha não vai mudar nada!
Fred: HAHAHAHAHAHHAHAA!

Eu fico pensando o que esse porteiro da noite/madrugada deve pensar da gente. Ou ele nos vê bêbados, ou fumados, ou vomitando na porta, ou rindo pra caralho e falando em canavial de maconha e pau subindo.

O carro da guria tava parado em frente ao prédio. O Matt entrou pela porta do passageiro e eu e o Fred entramos atrás.

Fred: E aí.
Eu: E aí.
Raíssa: Oi. Não repara que tá meio bagunçado aí atrás.

Tinha uma blusa no banco e só. Mas não reparei, como ela pediu.

Fred: Que zona.
Eu: HAHAHAHA!
Fred: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! To zuando.

O Matt nem respirava no banco da frente. Acho que eu ri de nervoso também. O Fred é muito idiota.

Raíssa: Desculpaaa! - ela falou sorrindo.
Fred: É zuera. Tu sabe o endereço?
Raíssa: Sei sim. O Matt me passou.
Fred: Essa Matt é muito rápido mesmo.

Silêncio no carro.

Fred: Não pra tudo. Só pra umas coisas.
Eu: Pfff… HAHAHA!
Fred: Só quando ser rápido é bom.
Eu: HAHAHAHA!
Fred: Senão ele não é.

Eu conseguia ver o Matt suando de vergonha já.

Fred: Depende. Se tu curtir, ele pode ser.
Eu: HAHAHAHAHAH!
Fred: HAHAHAHAHA! Ahhhhhh, ai, ai.
Raíssa: Ele é do jeito que eu gosto.

E ela passou a mão no cabelo dele.

Ela disse isso.

E.

Passou a mão.

No cabelo dele.

O Fred só faltou tirar os próprios olhos da cara de tanto que os arregalou. Antes que ele abrisse a boca pra falar alguma merda que eu já tava prevendo, falei mais alto:

Eu: ALGUÉM TÁ COM FOME?
Matt: Tem comida lá.
Fred: Tem comida pra todo lado. - o Fred continuava em choque.

Eu mordi a língua pra não rir e continuei.

Eu: O que tem lá?
Matt: Hamburger.
Eu: Beleza.

O Fred ficou quieto, mas achei melhor não perguntar. Acho que ele nunca para pra pensar nas coisas e, quando para, tem que fazer só isso. Não consegue nem falar ao mesmo tempo. A Raíssa resolveu ligar o som.

Fred: Que isso que tá tocando?
Raíssa: Kooks.
Fred: THE Kooks.

Até eu que não sou um poço de sexto sentido percebi que o Fred tava começando a implicar com a guria.

Raíssa: É… Hahaha.
Eu: Cala a boca, Fred. Tu nem sabia qual banda era.
Fred: A banda eu conheço, só não conheço essa música.

Silêncio.

Fred: Lá tem hamburger do quê?

Aparentemente ele esqueceu que tava de mau humor com a guria.

Matt: Não sei. Tu que falou que tinha hamburger.
Fred: Mas hamburger do quê?
Matt: Tu que falou, cara. Eu não sei.
Fred: Ah.
Eu: Hamburger só pode ser de carne.
Fred: Mas tem diferentes sabores.
Eu: Tu quer saber se é hamburger de vaca ou de frango, seu gay?
Fred: Não, imbecil. Se tem cheddar, molho…
Eu: Mano, lanche de hamburger, caralho! Tem um pão, um hamburger, outro pão.
Fred: ORRA QUE LIXO DE LANCHE!
Matt: Fred, ninguém tá falando que é assim.
Fred: O Thommo tá falando!
Matt: Ele nunca foi lá!
Fred: ENTÃO TÁ FALANDO BOSTA!
Raíssa: Gente… Hahahahahahahaha!
Eu: TODO hamburger tem um pão, um hamburger e um pão. Aí tem as variações.
Fred: Não, mano! Lá em Londres tem um hamburger que…
Eu: AHHHHHHHHHHHHHHH!
Fred: Puta que pariu, não começa…
Eu: LÁÁÁÁ EM LOOOOOOONDRESSSSS!

O Matt tentou bancar o maduro e não rir, mas não conseguiu. Percebi que ele desistiu e soltou a risada.

Eu: LÁÁÁÁ NA CAAASAAA DO MEU PAAAAI.
Fred: CALA A BOCA, SEU ANIMAL!
Matt: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

A Raíssa olhava pro Matt e tentava entender. Mesmo sem conseguir sacar do que a gente tava rindo, ela ria das nossas risadas.

Matt: Foi mal. Hahahahha.

Ele falou pra ela, que riu de volta.

Fred: Qual teu hamburger preferido, Larissa?

FILHO DE UMA PUTA LERDO DO CARALHO. Eu ri tanto que eu pensei que fosse morrer.

Matt: Raíssa.
Fred: RAÍSSA!
Eu: HAHAHAHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Fred: HHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHAHAHA!
Raíssa: Quem é Larissa?

O Matt só sacudiu a cabeça, mas antes de ele responder, o Fred interviu.

Fred: Ninguém, é que Larissa parece Raíssa.
Eu: Pior que parece.
Fred: Mas só o nome, de jeito assim não tem nada a ver.

Ele arregalou os olhos, mas já era tarde demais.

Fred: Não, tipo.
Eu: HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!
Matt: Mano, o que vocês fumaram?!

Pior que eu não tinha fumado nada, mas o Fred tava atacado naquele momento. Risadas e mais risadas depois, no fim ficamos eu e o Fred conversando e a Raíssa e o Matt conversando entre eles. Melhor assim. O som tava meio alto então mal dava pra gente se ouvir.

Quando finalmente chegamos, o Matt e a guria foram estacionar o carro e eu e o Fred descemos em frente à porta do lugar. O Fred tinha falado “baladinha”, mas parecia mais um bar com show. Assim que o carro saiu, o Fred me puxou pra falar.

Fred: MANO!
Eu: Solta a minha blusa, cara.
Fred: O MATT JÁ COMEU A MINA!!!
Eu: Tá doido? Claro que não.
Fred: COMEU SIM!!!
Eu: Mano, é o Matt. Claro que não.
Fred: Tu não ouviu o que ela disse?! Que ela gosta do jeito dele, sei lá que merda que ela falou.
Eu: Que que tem?
Fred: Tu não saca essas coisas. Eu saquei. Ele já comeu a porra da mina!
Eu: Ah. Bom pra ele.
Fred: BOM PRA ELE?! A mina vai puxar assunto com ele na faculdade, já DEU pra ele, vai buscar ele de carro em casa, OUVE THE KOOKS!
Eu: Qual o problema do The Kooks?
Fred: ELES VÃO NAMORAR, CARA!
Eu: Porra, Fred… Como tu é doente.
Fred: ELE VAI CASAR COM ESSA MINA, CARA!
Eu: Tá bom.
Fred: Presta atenção, Thomaz! A mina é moh gata gostosa e tá a fim dele e ouve essas banda escrota! É óbvio que o Matt vai começar a escrever cartinha de amor pra ela e dar aliança e fazer aquelas gayzice que ele gosta de fazer e…
Eu: The Kooks não é escroto.
Fred: FOCA, THOMAZ!
Eu: OLHA QUEM FALA! HAHAHAHA!
Fred: Quando finalmente fica todo mundo solteiro o Matt arruma uma dessa, caralhooooooo!
Eu: MANO, RELAXA!
Fred: ESSA PUTA MINA GOSTOSA TATUADA DO CARALHO! AHHHHHHHHH!
Vicky: Oi.
Fred: Que porra tu tá fazendo aqui?

Próximo capítulo: semana que vem!

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POSTTTTTTTTTTTT NOVO NA PQOGSPN!! CLICA AQUI PRA LER! Capítulo 121 - 6ª temporada

Fanzup da Depressão
PQOGSPN VI - TEENAGE YEARS

TEENAGE YEARS é a sexta temporada de PQOGSPN.

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Capítulos:

121.

Capítulo 121 - Matt e suas minas

A maluca da Layla me prometeu com todas as letras que me pagaria o Crystal até o final da semana. Disse que não tava nos planos dela, mas como eu tinha sido doente o suficiente pra aparecer na porta da casa dela HORAS depois da festa, as coisas mudaram. Deu pra ver que eu não tava de brincadeira.

Eu: Cara, isso é sério. Eu não to de brincadeira.

Reforcei enquanto a gente continuava a caminhar sem destino, logo depois de sair da casa dela.

Layla: Eu sei. Dá pra ver. Tu não deve nem ter dormido, veio direto pra cá me cobrar.

Passamos em frente a uma dessas pracinhas mal cuidadas de bairro, e ela se sentou num dos bancos de cimento que ficava na calçada.

Layla: Ufa. - ela bufou. - Quase morri do coração quando te vi dentro da minha casa, sabia? Tu é doido.
Eu: E tu quase me matou do coração quando botei a mão no bolso e não encontrei nada lá.

Ela riu olhando pra baixo, debochando da minha cara. Eu me sentei do lado dela no banco.

Eu: Tu acha isso engraçado?!
Layla: Relaxa, Thomaz. Eu vou te pagar. - continuou sorrindo.

Ela tirou um maço de cigarros do bolso do blusão de moletom e me estendeu. Pensei duas vezes antes de pegar um, mas como ela tava me devendo, me senti na obrigação de aceitar. Parecia que aquilo fazia com que eu me sentisse “menos roubado”. Ela acendeu o cigarro e me passou o isqueiro.

Layla: É sério, eu não tenho o dinheiro AGORA, mas vou ter. Eu não te roubei por que não tenho como pagar. Foi mais pela farra mesmo, sabe?
Eu: Sei. Tipo, “to aqui na festa, deixa eu roubar esse troxa”.
Layla: Hahahaha! É, mais ou menos.
Eu: Tosco. - eu não tava achando a menor graça.
Layla: Ah, qual é, Thomaz? Tu não tem a menor cara de que vai sentir falta daquele punhado de notas que eu peguei.
Eu: Como assim?
Layla: Tu deve tirar uma BELA duma grana com esse negócio de Crystal.
Eu: É…
Layla: Fala sério. Tu tá no mesmo esquema do Felipe, não tá?

Coloquei o cigarro na boca pra não precisar responder, e fiquei quieto. O Digo e o Carlão me censuram tanto nesse sentido que nem sei mais pra quem posso contar sobre essas coisas.

Layla: Não precisa esconder isso de mim. Eu não sou uma amiga que tu precisa proteger. Já sou cliente. Dã.
Eu: É. Sou colega de trabalho do Felipe.
Layla: Pfff… Hahaha! - ela me cutucou na costela pra tirar sarro. - Do jeito que tu fala, imagino vocês dois sentados lado a lado no escritório, usando camisa social e esperando pra tomar esporro do chefe.
Eu: Hahaha. Tipo isso.

Demos mais alguns tragos no cigarro em silêncio, até ela retomar a conversa.

Layla: Mas nunca, nunca, nunca mais fale de Crystal perto da minha mãe. Tá entendendo?
Eu: Eu não pretendo voltar na tua casa toda semana. Relaxa. Na real, se tu me pagar, não pretendo voltar nunca mais.
Layla: Não, é sério. Eu posso ser uma escrota, mas ela não precisa saber disso. De verdade.

Ela pareceu estar falando bem sério, mas eu não podia deixar de aloprar.

Eu: Ah, é? Por quê? Senão ela te bate?
Layla: Não é do teu interesse. Na boa. - ela respondeu sem me olhar.
Eu: Pff… - dei risada. - Tu é dessas que monta um personagem pra encenar em casa?
Layla: Todo mundo é assim.
Eu: Meu pai sempre soube que eu sou escroto. Nunca escondi.
Layla: Ele sabe do Crystal?
Eu: Não. Mas não por que eu me incomodo de ele saber. Ele não sabe porque a gente não conversa. Porque ele não sabe mais nada da minha vida.
Layla: Sei como é. Meu pai nem sabe que eu existo também.
Eu: Ele até sabe que eu existo, mas prefere ignorar.
Layla: Sim.

Silêncio novamente.

Layla: Enfim, sorte tua que tu não deve satisfação pra ninguém. Eu ainda não sou assim.
Eu: É só trabalhar.
Layla: Ei, eu trabalho, tá bom?
Eu: Tu? Tu faz o quê?
Layla: Ajudo a minha mãe.
Eu: Tu dá aula de dança também?
Layla: Não, idiota. Hahahaha! Eu ajudo no dia a dia, tipo, atender telefone, marcar horários e tal. E quando tem apresentação, eu ajudo a organizar.
Eu: Hm. Tua mãe faz apresentação de dança?

Eu até pensei em dar uma zuada falando que a mãe dela era gostosa, mas teria mais graça se a Layla fosse um cara.

Layla: É. Ela tá pegando um cara do teatro agora, ele até tá dando aula aí uma vez por semana e tal. E aí eles montam umas coisas juntos pra apresentar.
Eu: Hm.
Layla: Mas enfim, é óbvio que o que eu ganho não dá pra pagar a mensalidade da faculdade. E aí eu fico meio que devendo essa pra minha mãe.
Eu: Ela pega muito no teu pé?
Layla: Até que não. Eu não dou motivo.
Eu: Ou tu esconde os motivos.
Layla: É. Eu chamo isso de não dar motivo também.

Ri pra mim mesmo.

Layla: Com o Crystal, tu consegue pagar até a faculdade?
Eu: É. Tá rolando.
Layla: Caralho. Tu ganha mais que a minha mãe então. E olha que ela rala pra cacete! Que mundo injusto.
Eu: Claro que não, velho. Como eu ganho mais que a tua mãe? Ela não paga tua faculdade também?
Layla: Mais ou menos.
Eu: Teu pai paga?
Layla: O que eu te disse agora pouco sobre o meu pai? Somos só eu e minha mãe. O que acontece é que meu avô era do exército, alguma porra assim, e aí a gente ganha um dinheiro do governo todo mês desde que ele e minha avó morreram.
Eu: Ah. Da hora.
Layla: E esse dinheiro vai pra faculdade. Sacou? Não é muito, mas minha mãe guarda desde quando eu era criança, e aí conseguimos pagar.
Eu: Sei. Da hora isso. Tua mãe fazendo planos pra ti e tal.
Layla: É. Entende por que eu não posso decepcionar?

Fiz que “sim” com a cabeça. Dei o último trago no cigarro, joguei a bituca no chão e apaguei com o pé. A Layla já tinha terminado o dela.

Layla: Sabe, às vezes me dá vontade de pegar esse dinheiro e sumir, tá ligado? Fazer o que eu quiser, gastar pra me divertir.

Fiquei olhando pra ela. Tava interessado no que vinha a seguir, porque era bem isso que eu pensaria também.

Layla: Mas sei lá. No fundo eu acho que isso pode dar em alguma coisa.

Ela falou meio sem graça. Parecia envergonhada por acreditar que as coisas podiam melhorar.

Layla: Sabe?
Eu: A faculdade?
Layla: É. Tipo, ter uma profissão, comprar umas coisas, montar uma escola de verdade pra minha mãe… Tu sabe.

Aquele papo cabeça do nada me deu vontade de rir, mas fiquei quieto. Quando percebi que ela também tava segurando a risada, soltei.

Eu: PFFFFF HAHAHAHAHAHA!
Layla: Hahahahahahaha!
Eu: Tu quer é nadar em Crystal, se liga! HAHAHA!
Layla: HAHAHA! Cala a boca, idiota! É sério!
Eu: Tá bom. Hahahahaha!

Ficamos rindo sem parar.

Layla: Na boa, ela rala pra caralho, eu vejo isso. Não estraga tudo deixando ela saber das coisas que a filha faz. Por favor.
Eu: Pode deixar.
Layla: Obrigada. Mesmo.
Eu: Desde que a filha me pague.
Layla: Eu vou pagar, Thomaz. Não é porque não sou como teus amigos playboys que eu vou te dar migué.
Eu: Pra falar a verdade, tu me parecia bem patricinha desmiolada antes dessa conversa.
Layla: Eu faço um tipo.

Ela ficou mexendo nas unhas da mão. A Layla tava mesmo bem diferente do que eu tava acostumado, usando blusa de moletom cinza, uma calça preta com cara de velha, cabelos desarrumados e um tênis com cadarço mal amarrado nos pés. A única coisa que me lembrava a Layla de sempre era a maquiagem carregada nos olhos. Até a pose dela tava diferente, mais relaxada. Até divertida, eu diria. Nem parecia a filha da puta que tinha me roubado ontem.

Layla: Acho que vou indo. Minha mãe ainda tá me esperando voltar com o cigarro que eu supostamente saí pra comprar.
Eu: Beleza.
Layla: Não faz essa cara. Eu vou te pagar.
Eu: Pedir desculpa tu não vai, né?
Layla: Não. Foi pra tu ficar mais esperto!

Ela me deu um tapa de leve na nuca e se levantou.

Layla: Essa semana tem apresentação e eu vou ficar na bilheteria. Assim que tiver a grana, te devolvo. Tu dá um jeito enquanto isso?
Eu: Vou ter que dar.
Layla: Tá.

Meu celular tocou e eu atendi antes de me despedir da Layla. Era o Matt.

Eu: Fala, Matt.
Matt: Onde tu tá?
Eu: Ahn… Na aula.
Matt: Eu acabei de sair da aula. Tu não tá na aula.
Eu: O que tu quer?
Matt: Tu sabe do Dudu?
Eu: Não.

Olhei pra cara da Layla. Por um segundo até me esqueci que ela tinha pegado o Dudu na festa.

Eu: Por quê?
Matt: Deixei a Vicky dormindo no teu quarto e vim pra aula responder a chamada, mas não vi o Dudu na faculdade. To preocupado pensando que talvez ele tenha ido pra república e encontrado ela lá.
Eu: Eu vi ele dormindo na quadra mais cedo.
Matt: Putz. Tem certeza que era ele?
Eu: Acho que sim. Calma aí.

Tampei o celular com as mãos pro Matt não escutei e falei com a Layla:

Eu: Foi mal, mas vou ter que perguntar. O Dudu dormiu na tua casa?
Layla: Não. A gente não dormiu.

Arqueei as sobrancelhas.

Eu: Tu sabe se ele foi pra faculdade depois daqui?
Layla: Acho que sim.
Eu: E ele ia ficar até o fim das aulas?
Layla: E eu sei lá!

Porra. Não ajuda em nada.

Eu: Matt.
Matt: Oi.
Eu: Era o Dudu hoje cedo na faculdade sim. Só não sei se ele voltou pra república depois.
Matt: Espero que não. Mas suave. Onde tu vai almoçar?
Eu: No… Na…
Matt: Te encontro no Bar Verde, demorou?
Eu: Agora?
Matt: É, ué. A aula terminou agora. Vai pra lá.
Eu: Beleza. Falou.
Matt: Tu tá no trabalho?
Eu: To.
Matt: Tá. Falou.

Desliguei o celular. Eu congelo por dentro toda vez que o Matt me pergunta alguma coisa sobre o meu “trabalho”. É foda.

Layla: Por que tu quis saber do Dudu?
Eu: Nada. Deixei um negócio com ele.
Layla: Vocês ainda se odeiam?

Nossa. Por essa pergunta eu não esperava. Até tossi antes de responder.

Eu: Quê?
Layla: É, aquele lance todo.

Era óbvio que ela tava falando da época em que nós três formamos uma espécie de triângulo amoroso bizarro.

Eu: Não. Acho que não. Eu não odeio ele.
Layla: Ele não te odeia também. O Dudu é de outro mundo.

Não falei nada, mas sorri.

Layla: Queria merecer as músicas que ele escreve pra mim.

Ela sorriu também, e ficamos em silêncio.

Eu: Vou indo.
Layla: Beleza.
Eu: Não tira com a minha cara. Preciso do dinheiro.
Layla: Não vou tirar.

Eu não sabia se me despedia com um beijo no rosto, um abraço, um aperto de mão, ou um high five. Então só saí andando, meio desconfortável. Ela fez o mesmo, na direção oposta.

Enquanto caminhava até o metrô, fiquei pensando no quanto meu encontro com a Layla tinha sido diferente do que eu tava imaginando. Pensei que seria a maior treta do universo, que ela ia jogar pratos na minha direção que iam se quebrar na parede, que eu ia ameaçá-la de morte e tudo. No fim, foi bem tranquilo. Eu realmente não esperava que ela fosse daquele jeito “em casa”. Não daquele jeito. Ela parecia tão mais leve.

Eu não tinha nenhum motivo pra acreditar que ela fosse me pagar mesmo, mas preferi confiar. Eu ainda tenho um bom dinheiro guardado na gaveta do guarda roupa. Vou pegar um pouco daquilo e levar pro Z Club e, quando ela me pagar, eu reponho o que tinha na gaveta.

Meu celular começou a tocar de novo. Dessa vez, era o Fred.

Eu: Que foi?
Fred: Onde tu vai almoçar?
Eu: Caralho, velho. Vocês não conseguem fazer nada sem mim?!
Fred: O Matt resolveu virar o defensor das pobres oprimidas que dão sapatadas na cara dos outros, e me mandou zarpar. Não quer almoçar comigo.
Eu: Velho, a gente nunca para pra almoçar. Por que vocês resolveram fazer isso hoje? E tu não é o popular? Chama outro conhecido pra almoçar, cara. Eu nem to na faculdade.
Fred: Eu tenho outras pessoas pra chamar, mas quero almoçar contigo pro Matt ficar puto.
Eu: Cresce, vai, Fred.
Fred: É sério, po!
Eu: Não vou fazer isso. Tu tem com quem ir. Já o Matt, se eu não almoçar com ele, vai ficar sozinho.
Fred: Então vai tomar no cu.

Desligou. Curto muito meus amigos.

Espero que o metrô não esteja com nenhum problema hoje. Se eu demorar muito pra chegar na faculdade, eles vão começar a fazer perguntas. Além disso, tenho um dia meio cheio. Vou comer alguma coisa com os moleques, depois preciso dar um migué e ir pra república pegar a grana, levar pro Z Club e… CARALHO! Hoje tem aquela porra de aula de recuperação de estatística! É hoje essa merda! Dei um tapa na minha própria testa quando me lembrei. Porra, que merda eu fui inventar? Pior que eu não tenho escolha. Se eu não for, o professor vai me reprovar, e eu vou dever ainda mais dinheiro pro Z Club quando eles tiverem que pagar minha DP.

Fiquei puto do metrô até chegar na faculdade pensando naquele caralho de aula de recuperação. Vou perder a tarde toda nessa merda. Quando já estava quase na esquina da república, o Fred me ligou de novo.

Eu: Fala, Fred.
Fred: E aí, onde tu vai querer almoçar?
Eu: Já falei que não vou contigo. Vou com o Matt.
Fred: O Matt tá com uma guria.
Eu: Haha. Tá bom.
Fred: Sério.

Mesmo por telefone, deu pra perceber que ele falou sorrindo.

Eu: É sério?
Fred: Tá sentado com a mina numa mesa aqui do meu lado, no Bar Verde.
Eu: Cala a boca, velho.
Fred: Vem ver então.
Eu: Tá só ele e a mina?
Fred: Aaaaham.

Essa eu pagava pra ver.

Eu: To chegando aí.
Fred: E é gatinha, hein.
Eu: Não deixa ele sair daí.

Essa eu pagava muito pra ver. O Matt, assim, do nada? Pegando uma mina no almoço? Sóbrio? Quero dizer, ele pareceu bem sóbrio quando falou comigo por telefone agora pouco.

Apertei o passo até o Bar Verde, mas fica difícil correr na rua da faculdade logo que a aula acaba. Fica uma puta galera boiando lá, fazendo não sei o quê. Vão pra casa, caralho.

Chegando no bar, vi o Fred sentado numa das mesas de plástico que ficava do lado de fora, na calçada. Ele tava com mais duas meninas e um moleque. Assim que me viu, acenou, mas não chamou meu nome alto. Talvez fosse pro Matt não perceber que a gente tava ali.

Eu: E aí, velho.

O Fred nem me cumprimentou de volta, só apontou pra mesa atrás dele com o polegar e deu um sorriso.

Eu ainda tava imaginando que fosse alguma piada sem graça do Fred até realmente ver o Matt sentado na mesa logo atrás. E com uma guria. Uma guria BEM dahorinha, diga-se de passagem.

Eu: WTF, cara?
Fred: Senta aí, fica de camarote. Duda, tu pode trocar de lugar comigo?

Ele apontou pra uma cadeira vazia na minha frente, onde me sentei. Do meu lado, a tal da Duda se levantou e deu lugar pro Fred se sentar. Ficamos os dois de frente pro Matt. Era tipo assistir um show na área VIP.

Duda: Tu quer cerveja? - ela me perguntou.

Caralho, a galera não para. Eu tenho aula daqui a pouco, mas vou recusar cerveja dessa morena de olho puxadinho? Sou nem louco.

Eu: Valeu. - estendi meu copo.

O Fred me apresentou a outra guria e o moleque. A guria tinha nome de protagonista de Malhação e o moleque tinha algum sobrenome italiano. Mas tanto faz. O que importa é o Matt.

A guria que tava com o Matt era, além de bonita, toda descoladinha. Tipo, era morena com a ponta do cabelo bem loira, tinha a pele bronzeada, várias tatuagens pequenas nos dois braços, tava usando óculos escuros com armação estilosa, shorts bem curtinho… Cara, eu pegava sem nem pensar! Que gatinha. Puta que pariu.

Eu: Como isso aconteceu?
Fred: Não sei. Eu cheguei aqui pra falar com as gurias e vi o Matt no fundo sentado na mesa com ela, do jeito que eles tão agora.
Eu: Assim, de boa, tomando uma cerveja?

Eles tavam com um litrão na mesa e um copo pra cada um. Não tinha nenhum copo extra ali que desse a entender que tinha mais gente presente. Não. Eram só os dois MESMO.

Ficamos mais um tempo analisando os dois e chegamos a conclusão de que sim, a guria tava interessada no Matt. E o Matt obviamente tava interessado nela também. E o mais engraçado era que ele não tava sendo o xavecador, ele tava só conversando com ele, numa boa, como se eles já se conhecessem. Na real, parecia que a mina tava dando muito mais em cima dele, do que ele dando em cima da dela.

Amiga do Fred: Vou pedir frango. Vocês vão querer o quê?

Ela perguntou pra mim e pro Fred, porque, pelo visto, todo mundo já tinha pedido a comida pro garçom, menos a gente. Eu tava tão entretido com o Matt que tinha até esquecido que vim pra almoçar. Pedi um X Bacon pra ter bastante energia pra aguentar aquela porra de aula de estatística.

Tem gente que odeia, mas eu até que curto comer lanche com cerveja. É melhor com Coca Cola, mas com cerveja também não é ruim. Pouco tempo depois dos nossos lanches terem chegado, chegaram os lanches do Matt e da mina também.

Fred: Velho, o Matt chamou a mina pra ALMOÇAR. É a cara dele fazer isso.

O Fred falou meio puto, cuspindo maionese.

Eu: Como tu sabe que ele chamou ela? E se eles se conheceram agora?
Fred: Se conheceram agora? O Matt?! Não fode.
Eu: Ué.
Fred: Isso aí tá com cara que ele pegou algum dia e depois chamou a mina pra ALMOÇAR. AL-MO-ÇAR.
Eu: Hahahaha! Qual o problema, velho?
Fred: Porra, qual a chance dele dar umazinha depois do ALMOÇO? Tipo, MEIO DIA, depois de comer PRA CARALHO?

Acho comédia demais como o Fred fica bravo quando vê os outros agindo de um jeito que ele considera errado pra comer mina.

Eu: Vai ver ele só quis sair com ela mesmo. Conhecer melhor e tal.
Fred: O que eu falei? É a cara do Matt. Perdeu o cabaço e continua virgem.

Quando a gente já tava quase terminando nossos lanches, o Matt e a guria se levantaram, aparentemente pra fumar um cigarro do lado de fora. O Fred quase vomitou e levantou correndo pra ir atrás dos dois.

Eu: Hahahah! Que isso, mano?! - perguntei quando caiu um pedaço de alface do lanche dele no meu colo.
Fred: Eu tenho que ficar de olho pra ver se ele não vai fazer nenhuma merda!

Parecia que o Matt simplesmente não podia deixar aquela guria moderninha escapar, senão ele seria expulso da república por justa causa. Eu me levantei logo atrás do Fred.

Fred: Ih, caralho. Não tenho cigarro.
Eu: Eu tenho, relaxa.
Fred: Dá um aí.

Fomos andando disfarçadamente até onde o Matt e a guria tavam na calçada. “Disfarçadamente” na língua do Fred não funciona muito bem, então logo o Matt nos viu. Não tivemos outra saída senão cumprimentar.

Fred: E aí, carinha.

Ele a guria, que antes tavam rindo, ficaram sérios depois do “oi” do Fred.

Matt: E aí.

O Fred não tirou os olhos do Matt e estendeu a mão pra eu passar um cigarro pra ele. Tirei um do maço pra mim e dei outro pra ele. O silêncio continuava.

Fred: Então…

Tossi. O Matt arqueou as sobrancelhas. Todo mundo quieto ainda.

Fred: Calor, né?

A guria deu um sorriso amarelo e o Matt revirou os olhos.

Matt: Essa é a Raíssa.
Fred: É sim.

O Fred é muito esquisito, cara.

Matt: Esse é o Fred. Esse é o Thom.
Fred: Curtiram a Festa do Pijama?

O Fred falou por cima do Matt, que fez cara de quem não entendeu a pergunta.

Matt: Quê?
Raissa: Muito boa.

Ela sorriu, não se mostrando nem um pouco intimidada com o Fred. Percebi que ele ficou até meio surpreso, sem ter o que falar.

Raissa: E vocês, curtiram?
Fred: Pra caralho.

Eu e o Matt ficamos quietos, enquanto o Fred e a guria se encaravam. Eu não conseguia entender muito bem o que tava rolando ali, mas o clima não tava dos mais tranquilos.

Eu: Eu preciso ir. Tenho aula agora.
Matt: Aula?
Eu: Topei participar da aula de recuperação de estatística pra ver se ainda tenho chance de passar de semestre.
Raissa: Ah, eu já fiz! É tranquila.

O Fred apertou os olhos e continuou encarando a menina. Já o Matt, sorriu olhando pra ela.

Raissa: O professor é exigente, mas ele é parceiro. É só não faltar que tu passa. É uma semana, né?
Eu: É sim.
Raissa: Tranquilo, sério.

Ela tinha uma voz que eu não posso chamar de nojentinha, mas também não era das mais legais. Era, sei lá, voz de menina. Ela só falava de um jeito meio fresco. Mas não tenho o que dizer, ela tinha acabado de ser bem simpática comigo.

Eu: É. Vou nessa.

Eu acenei e ameacei sair andando, mas o Fred nem se mexeu.

Eu: Vamo, Fred.
Fred: Ah. - ele acordou. Vamo.

Ele apagou o cigarro que ainda nem tinha terminado na parede e me seguiu. No caminho de volta até a mesa, ele falou baixo:

Fred: Eles se pegaram na Festa do Pijama.
Eu: Como tu sabe?
Fred: Eu reconheço uma pegada pós festa quando vejo uma.
Eu: Me explica então.
Fred: Vai muito além do teu entendimento.
Eu: Pfff hahahah!
Fred: Mas ela é gata mesmo. Tipo, tem jeito de guria gostosa, sabe?
Eu: Ah, achei normal. Ela é bem baixinha e pequena, na real. Não é cavala.
Fred: Não isso. Ela tem charme, tá ligado? Viu como ela segurava o cigarro?
Eu: Ahn… Não?
Fred: Vai na minha. Essa dá bem.

Falou isso e saiu andando na minha frente. Quando eu acho que o Fred não tem mais nada esquisito pra falar…

Fui até o caixa, paguei meu lanche e parte da cerveja, e parti pra aula. Caralho, quem diria? Eu saindo do bar pra ir pra aula, e não o contrário.

POST NOVO A PARTIR DAQUI ———

Atravessei a rua sentindo um misto de preguiça e ansiedade, por mais estranha que essa mistura pareça.
Tava com preguiça de ir pra aula, mas no fundo também tava sentindo aquela coceira típica de primeiros
dias. Eu realmente não gosto do primeiro dia de coisa nenhuma. Ou gosto, porque ao mesmo tempo em
que dá vontade de me matar, faz com que eu me sinta vivo. Ansiedade dá aquela impressão de que a vida
tá acontecendo de verdade.

Eu nem sabia onde era a porra da sala, tava mais perdido que um bixo do primeiro semestre. Pode crer, eu
sou um bixo do primeiro semestre. Por mais que eu tente disfarçar, tá escrito na minha cara o desconforto
que eu ainda sinto quando piso na faculdade. Ainda é um lugar estranho pra mim. Se for me comparar com
um veterano jogado no sofá da Atlética, eu sou um um puta dum bixo perdido no corredor.

Pedi informação pra um segurança e consegui encontrar a sala de estatística. É bizarro, mas sim, tem
SEGURANÇAS dentro da faculdade. Na escola a gente só tinha um tio que abria o portão, e ele ainda tinha
um esquema pra deixar a gente fugir da aula quando quisesse. As coisas mudaram depois que ele foi
demitido, mas botaram um outro tio no lugar. Tão gordo e lento quanto ele. Bem diferente dos seguranças
da faculdade, que pareciam agentes da CIA.

Confesso que fiquei surpreso quando entrei na sala de estatística e só vi nove pessoas. Eu imaginava uma
porra de uma sala lotada. Não aquilo. Com tão pouca gente, eu seria obrigado a realmente fazer alguma
coisa na aula, porque o professor consegue ter maior controle. Caralho.

Professor: Sério?

O professor já tava em pé com um livro nas mãos e todo mundo tava sentado nas carteiras. Ele me olhou
por cima dos óculos e perguntou quando me viu na porta da sala.

Eu: Boa tarde.

Ele entortou a boca e me esperou sentar antes de continuar a explicação. Não sei se aquele “sério?” foi tipo
"sério que tu vai chegar atrasado e entrar?" ou "sério que tu veio?". Preferi não perguntar, só sentei na
segunda fileira e fiquei na minha.

Nem preciso dizer que eu não tava entendo caralho nenhum do que o professor tava explicando. Eu era
muito grato pela chance que ele tinha me dado de não repetir de semestre direto, mas queria que ele
espontaneamente tivesse um aneurisma pra cancelar essa porra de aula. Beleza, não precisa ser um
aneurisma, podia ser só uma perna quebrada. Tem alguma doença que faz a perna da pessoa quebrar do
nada enquanto ela dá aula?

Professor: Caros, entendam o seguinte: a estatística não é uma ferramenta matemática que informa
quantos erros nossas observações apresentam sobre a realidade pesquisada. Na verdade, ela mede o erro
que existe na estimativa de quanto uma amostra representa adequad…

Caralho, alguém me mata. Por que eu preciso aprender isso? Me fiz essa mesma pergunta durante toda a
escola e agora vou ter que repetir na faculdade. Essa porra nunca acaba?

Tive a sensação de que todo mundo na sala tava pensando a mesma coisa que eu. No fundo tavam sentadas
duas meninas juntas, que provavelmente eram bem amigas, porque não paravam de cochichar. Um pouco
mais distante delas, tipo no meio da sala, tava um casal que se fodeu junto. No outro canto, tinham quatro
moleques com cara de último ano. Tipo, os caras já deviam ter uns 25 anos e ainda não tinham conseguido
se formar. Na fileira atrás de mim tava um moleque obviamente viado usando um corte de cabelo
esquisito e uma regata cortada que mais parecia um pano de chão velho. Quero dizer, eu tenho amigos
homens que também têm cabelos estranhos e usam regatas arregaçadas, mas nenhum deles cruza as
pernas pra sentar nem usa caneta rosa.

Eu era o que tava sentado mais próximo do professor. O resto da galera tava atrás de mim. E, mesmo assim,
eu devia ser o que tava mais perdido na explicação do professor. Porra, eu não fui em NENHUMA aula. Qual
a chance de eu aprender tudo num dia só? Que ideia de imbecil. De qualquer forma, continuei sentado
fingindo que tava prestando atenção. Eu tava olhando pra cara do professor, mas minha cabeça tava lá no
Matt e na mina dele. Que mundo é esse em que o Matt pega gurias gostosas e tatuadas?

Professor: Perguntas?

"Posso ir embora?"

Professor: Não? Beleza. Hora de fazer os exercícios.

Exercícios?! Eu não trouxe caderno, lápis, caneta, nada… Não que eu esteja certo em vir pra uma aula sem material, mas eu não tava contando com exercício.

Professor: Formem duplas.

MANO.
Não tem sacanagem maior do que me pedir pra formar dupla numa sala onde não tem nem o Fred e nem o Matt! Puta que o pariu.

Bufei e olhei pra trás.

As duas amigas do fundo formaram uma dupla. O casal formou uma dupla. Os quatro caras do último ano formaram duas duplas. Pela cara do moleque gay, ele também não ficou muito feliz de fazer dupla comigo, mas não tínhamos muita opção. Enquanto o professor passava pelas carteiras entregando as folhas de exercícios, e eu e o cara da caneta rosa tentamos nos entender.

Moleque: Quer sentar aqui? - ele apontou pra carteira vazia do lado dele.
Eu: To bem aqui.

Eu hein.

Ele arrancou uma folha do caderno e me deu, junto com um lápis.

Eu: Valeu.

O professor me entregou a folha de exercícios e avisou que ia sair da sala pra fumar um cigarro. Gosto que os professores de faculdade sejam mais sinceros do que os da escola. Fiquei pensando nisso e olhando o professor sair da sala, distraído, e me assustei quando a biba arrancou a folha de exercícios da minha mão.

Moleque: Hmmm… - ele ficou analisando a folha.

Eu tava claramente desconfortável. Não sabia fazer exercício nenhum, não tava a fim, e não tava me sentindo bem fazendo dupla com o bicha da sala. A galera, que durante a explicação tava fazendo silêncio, começou a falar pra caralho depois que o professor saiu. Eu voltei a olhar pra frente enquanto o moleque encarava a folha de exercícios.

Moleque: Tá, tá, tá…

O jeito afetado com que ele falava já tava me deixando irritado.

Moleque: Tá.

Continuei quieto. Não vou ficar olhando pra esse cara. Vai que ele pensa que eu to a fim dele.

Moleque: Vai, exercício 1.

Continuei na minha. Percebi que ele tava mexendo no celular. Ficamos nós dois quietos por alguns segundos. Quando ele parou de digitar, puxou assunto comigo.

Moleque: Tu tá no segundo semestre?
Eu: Não.

Era só o que me faltava. Receber um xaveco na aula de estatística.

Moleque: Tá no terceiro?
Eu: Não.

Ele ajeitou o cabelo e voltou a mexer no celular. Qual é? A gente não vai fazer essa merda? Eu consegui fazer dupla com um cara que parece saber menos que eu. No mínimo ele devia ser mais burro, porque tava anotando tudo que o professor falava, e mesmo assim não sabia fazer os exercícios.

Moleque: Tu tá em qual?
Eu: Primeiro. - falei rápido e grosso pra ver se ele percebia que eu não tava a fim de conversar.
Moleque: Primeiro? Por que tu tá na recuperação então?
Eu: Porque eu fui chamado.
Moleque: Ah, eu queria saber se tu era do segundo ou terceiro porqu…
Eu: Cara, eu não sou viado.

Ele fez uma cara estranha.

Eu: E não quero sair contigo, conversar, nem ser teu amigo colorido.

Cortou. Voltei a olhar pra frente e ele voltou a mexer no celular. Se tu não corta rápido, esses caras não param.

Me levantei, peguei uma folha de exercícios que tinha sobrado na mesa do professor e voltei pra minha carteira pra tentar resolver sozinho. O moleque continuou no celular.

Fiquei olhando pra folha, tentando escrever qualquer coisa na folha, mas eu não sabia nem por onde começar. Caralho, eu sou muito burro. Eu acho que vi o professor falando alguma coisa disso, mas porra, não dá. Eu não sei merda nenhuma. O que eu to fazendo aqui? Que merda…

Depois de um tempo naquela aflição, o moleque gay deixou uma folha na minha carteira e se levantou. Na folha, estavam todos os exercícios resolvidos.

Moleque: Perguntei em que semestre tu tava porque esses exercícios são os mesmos do semestre passado. - ele falou, em pé do meu lado. - Consegui as respostas com um conhecido do segundo semestre pelo celular.

Ele ajeitou a mochila dourada nas costas, me encarando.

Moleque: Ou tu acha que todo mundo que fala contigo quer te pegar?

Meu rosto ferveu. Eu não tinha o que responder, mas fiquei puto com aquela pergunta dele. Eu o encarei de volta, mas fiquei quieto.

Moleque: Imaginei.

Ele me olhou da cabeça até o cadarço sujo do meu Vans e saiu da sala.

Eu: Bicha. - falei sozinho.

Porra de viado marrento. Eu não tinha certeza se ele queria me pegar, claro que não. Eu só tava incomodado com a possibilidade. Eu sei lá. Foda-se essa porra. Copiei os exercícios dele, deixei as duas folhas na mesa do professor e fui embora com o lápis no bolso.

Eu tinha muita coisa pra resolver pra ficar esquentando a cabeça com bicha afetada. Assim que saí da sala, já liguei pro Z Club pra avisar que ia passar lá pra dar o dinheiro e pegar mais Crystal. O Digo me atendeu, disse que tinha um compromisso e que precisava sair, mas que ia me esperar no Z Club antes de ir.

Quando eu tava indo pra lá, me lembrei de que precisava passar na república pra pegar o dinheiro que tinha na gaveta pra cobrir o que a Layla tinha me roubado. É bom essa retardada me pagar até o final da semana mesmo. Ela já tá me devendo muito. Não só pelo dinheiro, mas também por ter ido atrás do Carlão pra pegar Crystal. Ele nunca mais me tratou do mesmo jeito, ficou realmente puto com isso. Inclusive, era bom eu ligar pra ele agora pra dizer que tava tudo resolvido, que eu ia ficar de olho na Layla e que aquilo nunca mais ia acontecer. O Carlão preza muito pela privacidade dele e eu respeito isso. O cara é gente boa, não queria que ele ficasse com raiva de mim pra sempre.

No caminho até a república, liguei pra ele. O celular chamou, chamou, chamou, mas ele não atendeu. Depois, veio uma mensagem dele:

"Decidi que é melhor não trabalharmos mais juntos. Vou falar com o Digo hoje à noite."

Quê? Liguei pra ele de novo, que não atendeu. Chegou outra mensagem:

"Não posso atender agora. Vou ser rápido: tua amiga me procurou hoje de novo. Não podemos continuar assim."

Mano, que porra a Layla tá pensando?! Vadia do caralho! Quando eu penso que ela tem um mínimo de juízo, ela dá dessas DE NOVO! Mandei uma mensagem pra ele:

"Foi mal, cara! Eu falei com ela hoje, não era pra rolar isso. Ela ta maluca. Vou falar com ela."

Segundos depois chegou outra mensagem dele. Ele já devia estar escrevendo antes de receber a minha.

"Sei que não é culpa tua. Mas preciso pensar em mim e na minha família. Não posso dar pala."

Minha vontade era de perguntar de que PORRA de família ele tava falando se a mulher largou ele e a filha mal sabe que ele existe! Essa seria a resposta mais Thomaz possível, mas como eu não tava falando e sim escrevendo, tive tempo pra pensar antes de fazer isso. Cheguei a conclusão de que quem merecia ouvir umas merdas era a Layla, e não o Carlão. Respirei fundo e mandei pra ele:

"O nome dela é Layla?"

Ele não respondeu mais. Caralho. Eu vou matar a Layla, na moral. Como ela consegue ser tão doente? Puta que o pariu. Cheguei na porta do prédio e subi as escadas amaldiçando ela. Quando essa porra vier me pagar, se ela me pagar, eu vou matar ela. Porra, o Carlão é brother pra caralho. É difícil encontrar alguém confiável como ele, ainda mais nesse trabalho que eu to.

Cheguei na república e encontrei o Matt sentado no chão jogando vídeo game com um amigo do Dudu. Na sala, também tavam o Dudu e outros quatro amigos. Todo mundo de boa, trocando ideia.

Eu: E aí.
Dudu: E aí, cara. Tu tem visita.
Eu: Eu?
Dudu: É. Tá no teu quarto.

Porra. Quem? Se for a puta da Layla… Não, não pode ser a Layla. Se fosse a Layla, ela ia estar com Dudu, não no meu quarto. Quem chegaria e iria pro meu quarto assim? A Clarissa? A Alícia?! Fui pro quarto me sentindo um tanto estranho.

A porta tava fechada pra me deixar ainda mais atordoado. Assim que abri, vi uma mina sentada na minha cama.

Eu: Luiza?!
Luiza: Oi.

- Próximo capítulo » semana que vem!
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NEWZ FACULDADE: COMO EU ESCOLHI PUBLICIDADE, COMO É O CURSO, ESTÁGIO, REPÚBLICA, BLABLABLA

Hoje eu não vim falar de sexo, nem de dorgas nem de roquenrol… Vim falar de FACULDADE! =O Mas que fique claro que isso foi ideia de vocês mesmos kkk Na real faz uns CINCO anos que me pedem pra fazer esse post, mas só agora eu juntei informações suficientes (e lembrei) de postar. Vou responder aqui as coisas que mais me perguntam, principalmente sobre o curso que eu fiz (comunicação social/publicidade) e, se tiverem mais alguma dúvida, se foderam. To zuando, podem perguntar… Mas vou tentar responder tudo nesse post:

PRIMEIRO, já falei, mas repito: cursei comunicação social. Esse curso tem uma pá de outros nomes tipo publicidade, publicidade e propaganda, propaganda, propaganda e marketing, marketing… No fundo é tudo a mesma coisa. Claro que faculdades diferentes dão cursos minimamente diferentes, tem umas mais focadas em criação, outras em marketing, depende do foco e da especialidade de cada uma. A que eu escolhi, por exemplo, eu achei bem focada em marketing. Mas antes de falar como eu escolhi a faculdade, vou falar como eu escolhi o curso e ver se consigo ajudar vocês a escolherem também.

Três coisas que eu considerei pra escolher o curso: as matérias em que eu ia bem ou curtia na escola, o que eu curtia fazer fora da escola e assuntos pelos quais eu me interessava. Normalmente a galera só considera essa fita das matérias da escola, mas eu acho que não é o suficiente pra tu escolher uma faculdade ou profissão. Até porque tipo, pra ser sincero com vocês, eu não me dava BEM em merda nenhuma na escola tirando redação HAUHAHA Mas beleza, mandar bem e gostar de redação já era alguma coisa. E quando a aula de artes da escola não era sobre a HISTÓRIA DA FUCKING ARTE mas sim de criar arte, eu curtia também. Juntando isso às coisas que eu curtia fazer fora da escola (tipo filmar, editar vídeo, mexer com foto, desenhar) e assuntos que eu curtia (tipo cinema, música, festa, tecnologia), eu conseguia ter uma noção geral do caminho que eu queria seguir. E cara, eu não tive um momento de sentar e anotar todas essas coisas pra ficar analisando, foi meio natural. Mas acho que pode ser um exercício da hora pra quem tem muita dúvida. Tipo, pensa em TUDO que tu gosta de fazer, desde assistir documentário de ET até cuidar do teu cachorro. Não necessariamente tu vai virar um astronauta ou veterinário por causa disso, mas tu pode chegar à conclusão de que gosta de ciência e comunicação e fazer jornalismo, ou ver que tu tem jeito pra cuidar dos outros e fazer medicina. Sacou?

Percebendo meu jeito ~CRIATIVO, COMUNICADOR, ZÉ LOCO~, desde quando eu ainda era meio criança eu já ouvia adultos me falando que eu poderia gostar de fazer publicidade ou algo do tipo. Daí lá pela oitava série, quando a escola já começa a causar na tua pra escolher uma faculdade, eu fui pesquisar melhor sobre os cursos que me falavam e percebi que eu me encaixava mesmo na área de comunicação. Como eu também manjo desenhar (se pa vocês nem sabiam disso) e desde os 13 anos eu já viajava no Photoshop, também considerei fazer algum curso que tivesse a ver com design. E quando eu falo “fui pesquisar melhor”, eu fiz de tudo, tipo pesquisar no Google, comprar aquelas revistas Guia do Estudante, fazer teste vocacional (na internet mesmo), várias fitas assim. Uma coisa que eu não fiz mas acho uma boa é tu conversar com alguém que já fez o curso que tu quer fazer.

To ligado que não é fácil escolher um curso, mas a gente também não pode reclamar de falta de informação hoje. Tu coloca no Youtube “entrevista com psicólogo”, “como é o curso de psicologia”, aparece uma caralhada de coisa. Pra vocês terem uma noção, eu tinha dúvida entre vários cursos, então pesquisei todos: publicidade (dúvida entre publicidade, marketing, propaganda ou comunicação social?), jornalismo, cinema, rádio e TV, design (dúvida entre design gráfico, digital ou de interface digital?), fotografia, SEI LÁ. Falando assim parece que eu me matei, mas foi suave kkkk Tem uma época em que todo mundo tá falando sobre isso, eu só entrei na onda. Eu também fui em vários daqueles eventos que as escolas promovem com faculdades, liga? Que vão uns diretores e professores dar palestra sobre os cursos. Eu fui em uns quatro, acho. Pegava o folder do evento, anotava os horários das palestras dos cursos que eu tinha interesse e ia em todos. E foi numa dessas palestras, que inclusive foi dada por um dos caras da minha faculdade, que eu decidi fazer publicidade =D Não sei dizer exatamente qual foi o motivo porque faz tempo, mas eu lembro que a palestra foi muito boa, o cara era muito engraçado e ele mostrou a grade curricular do curso, que tinha aula de redação, cinema, fotografia, design, sei lá, todos os assuntos que eu curtia kkkk Aí eu falei É NÓIS ENTÃO CARA. 

Um parênteses aqui porque eu já veio fanzup falar disso comigo antes: NÃO DEIXEM OUTRAS PESSOAS ESCOLHEREM A FACULDADE POR VOCÊS! NÃÃÃÃ~~AO DEIXEEMMMMMMMM CARALHHOOO Na boa, foda-se se a tua família inteira é formada em medicina, que o sonho da tua mãe é que tu vire engenheiro, foda-se. Se teu pai usar o argumento “sou eu que vou pagar tua faculdade então tu vai cursar o que eu mandar”, então se mata e entra numa faculdade pública ou trabalha pra pagar a tua. Na moral, eu me formei ano passado depois de 4 anos e é muito foda imaginar como teria sido e como seria a minha vida se eu tivesse feito um curso que eu não queria. É bem foda isso, são QUAAAATROOO porra de anos se fudendo, e depois tem grandes chances de tu trabalhar com aquilo. Eu já me fudi fazendo o curso que eu queria, imagina se tivessem me obrigado a fazer um que eu não queria. Não façam isso, caras.

E outra, velho. Faculdade não é só pra tu arranjar um estágio e depois ser efetivado e comprar um ape e um carro e casar e ter filhos e pagar os impostos e lalalallalal Faculdade é uma experiência de vida, é pra tu crescer como pessoa, abrir tua cabeça, aumentar teu mundo, e não só mais um degrau em direção à vida adulta. Por isso é tão importante escolher um curso legal e que tem a ver contigo. Não tem que rolar só aquela preocupação de “oh meu deus TENHO que escolher um curso muito foda porque eu vou trabalhar com isso pro resto da vida”. Não só porque essa escolha não se limita a isso, mas também porque não é verdade. Tem uma galera que eu conheço que nem trabalha no que se formou. Eu trabalho com marketing, meu ex chefe era formado em matemática, meu chefe atual é formado em economia e um cara que trabalha comigo fez administração. Então, de verdade, mesmo que tu tiver esse medo de “escolher a faculdade errada e se fuder”, relaxa. Eu acredito que tudo TUDO TUDO que tu aprende pode ser aproveitado em qualquer área. Uma coisa é certa, se tu gosta do que faz, tu faz direito. Melhor fazer uma faculdade de jardinagem bem feita do que uma de medicina nas coxa.

Passada a brisa da lição de vida, vou falar sobre a minha faculdade kkkk Essa parte é mais interessante pra quem quer cursar publicidade, então se não é teu caso tu pode ir embora. Blz. Pra quem ficou: eu fiz faculdade na ESPM de São Paulo, sigla de Escola Superior de Propaganda e Marketing. Pra escolher foi a mesma fita dos cursos, eu pesquisei na internet e em revistas quais eram as melhores faculdades do Brasil no curso de publicidade e fui tirando minha conclusões. Na real esse negócio de A MELHOR FACULDADE DA PQP não quer dizer tanta coisa assim, acho mais interessante tu pesquisar como é o curso de cada faculdade. Eu por exemplo pesquisei no ORKUT KAKAKAK. Não lembro qual era a comunidade, mas o tópico era alguma coisa tipo “ESPM x Metodista” (outra facul de publicidade). Daí lá tinha a galera comentando como era o curso em cada uma, e tu percebe que cada lugar foca em uma coisa, tipo criação, ou marketing, ou outra coisa. Pesquisei e vi que eu queria fazer ESPM mesmo. Foi mal mas agora não sei falar pra vocês exatamente quais foram os motivos porque já faz tempo, mas levei em consideração a palestra que me ajudou e que foi dada por um cara da ESPM, as recomendações em revistas e sites, o fato dela ter como principal curso o de publicidade, ter professores famosos no mercado e por aí vai. 

Agora tirando as dúvidas sobre a ESPM pra quem tem vontade de fazer. A faculdade é privada e tem que prestar vestibular sim (até onde eu sei tu precisa prestar vestibular pra toda e qualquer faculdade, nem sei porque me perguntaram isso kkk). A prova não foi difícil pra mim, eu passei de primeira e não me matei de estudar. Mas, eu conheço BASTANTE gente que não passou. Na moral, bastante mesmo hauah Eu fiquei até sem entender como eu passei e outras pessoas não HUAUH Mas tipo, no vestibular deles não cai biologia, química, nem física, e gramática e redação têm peso 2. Peso 2 é quando a nota dessas matérias vale 2 vezes mais do que o resto da prova. Eu fui bem pra caralho em gramática (acertei 17 de 20) e tirei nove na redação. Depois eu descobri que tirar nove de redação num vestibular da ESPM é tipo escrever melhor que o Machado de Assis, então se pa fui bem HUAHUAUH To zuando, mas é uma parte importante pra caralho da prova e difícil de tirar nota boa. E aí acho que foi por isso que eu passei. Tem várias faculdades que seguem esse mesmo esquema de ter matérias mais importantes que outras no vestibular, e eu acho bem justo. É bom tu pesquisar antes como é o vestibular da faculdade que tu quer prestar. Outra coisa importante é que na ESPM foda-se quanto tu tirou no ENEM kkkk Não vale em nada pra tu passar.

Ah e o único vestibular que eu prestei foi o da ESPM. Na real, isso pode ser meio frustrante pra vocês, mas eu nunca fui o típico aluno vestibulando que se mata de estudar, fica estressado, se inscreve em todos os vestibulares do Brasil, viaja pra fazer prova… HUAUHAUH Foi muito suave, na moral. Mas acho que um dos principais motivos pra ter sido tão suave foi que eu pesquisei pra caralho pra escolher o curso e fui direto nele, sem precisar ficar me matando pra passar em mil coisas. Não critico quem presta todos os vestibulares do universo e sonha em passar em primeiro lugar na federal, mas eu tenho outros valores de vida kkk 

Voltando, a ESPM é uma faculdade privada/particular sim. To ligado que vai parecer que eu to falando isso só porque eu fiz faculdade particular, mas falo de coração pra vocês: saaaaiam dessa brisa errada de que toda faculdade pública é melhor que particular, ou que faculdade pública é mais difícil do que particular. É mais difícil passar no vestibular da pública porque tem mais gente concorrendo por vaga pra estudar de graça, mas não necessariamente o curso é melhor ou mais difícil. Isso depende MUITO do curso. Por exemplo, um curso de engenharia ou outro mais tradicional é melhor numa pública, mas um mais moderno e que depende de tecnologia tipo design digital é melhor numa particular. Deu pra sacar? Na moral, no Senac por exemplo ou mesmo na ESPM tem 9876786 salas com um iMac pra cada aluno. Não to desmerecendo uma USP da vida, mas é impossível ter esse tipo de coisa lá. Não to metendo o pau em nenhuma, até porque na USP também tem curso de publicidade e é bom, claro, mas até onde eu sei o foco é diferente do de uma particular. Enfim, pesquisem e tirem suas conclusões kkk

Ainda falando de pagar pela faculdade, sim, a ESPM é uma facada. Tipo, não tenho como amenizar ou falar de outro jeito, o curso lá é caro pra caralho e, sendo muito sincero, não tem como tu estudar e trabalhar ao mesmo tempo pra pagar. Quando eu entrei, a mensalidade era tipo R$2800 e agora já me falaram que tá chegando nos R$4000. Pra tu ganhar R$4000 de salário, tu tem que ter um puta dum emprego e ser formado em alguma coisa. Ou seja, não rola. Sem contar que tem muito muito muito trabalho pra fazer, principalmente nos dois primeiros anos do curso, então tu não tem tempo pra trabalhar pra tirar essa grana. Meus pais pagaram pra mim e eu não tenho por que ficar justificando isso pra vocês, assim como vocês também não tem por que ficarem me chamando de playboy e o caralhoa4. Quando eu entrei, não tinha como tu ganhar bolsa ou desconto. Hoje eu to ligado que na ESPM também tem FIES (pesquisem no Google porque eu não sei explicar direito kk) e outros projetos, então acho interessante quem quiser estudar lá pesquisar sobre isso, porque não é barato mesmo. 

Sobre o curso, tem mesmo aulas muito loucas tipo de cinema, fotografia, semiótica (essa é MUITO DAHORA), comunicação, psicologia, etc etc, mas também tem umas chatas pra caralho tipo estatística, economia e finanças. Faz parte. Uma coisa que eu não esperava e que eu não curtia muito na época mas hoje eu vejo que foi bom, era que o curso lá era muito focado em marketing. Muito mesmo. Em todos os semestres tem aula de marketing. Pra quem não curtia muito tipo eu, era chato pra cacete, principalmente no terceiro semestre que era difícil. Também não curtia muito as aulas de Pesquisa, e tem dois anos dessa matéria. Enfim, não vou mentir e falar que todas as aulas e professores foram bons o tempo inteiro… Mas como formação, foi muito bom sim. Tem o que melhorar ainda, mas eu achei o curso bem completo e abre muitas portas tu ter essa faculdade no currículo. E de verdade, tem uns professores muito fodas. Já tive aulas com dois que foram dar entrevista no Jô kkk Isso é muito dahora. Em relação a provas e trabalhos, tem muito mais trabalho do que prova. Tem trabalho pra CARALHO. Todo final de semestre era o mesmo inferno, eu ficava tipo duas semanas sem dormir pra conseguir fazer tudo. De verdade, eu ralei e estudei na faculdade tudo que eu varzeei na escola HUAUHA Na moral, ralei igual um fdp! O segundo semestre é um bang que não dá pra explicar kkk Se eu não me engano eu comecei a escrever a PQOGSPN no terceiro semestre, quando já tava mais suave. Mas o segundo foi o inferno na Terra. Só não foi mais foda que o TCC. 

Aí sobre trabalho, mercado de trabalho, essas coisas… A faculdade recomenda e meio que te força a trabalhar só a partir do terceiro ano. Antes disso, tem muito trabalho e prova pra fazer, justamente pra tu não ter tempo de trabalhar e te focar na faculdade. Eu fui RBD e comecei a trabalhar bem antes disso, mas foi escolha minha, e eu fui um dos poucos da sala a fazer isso. Tem o lado bom e o lado ruim. Amigos meus que só começaram a trabalhar no terceiro ano tiveram mais tempo pra curtir a faculdade, fazer parte da Atlética, essas coisas. Em compensação, eu comecei a ganhar dinheiro antes e hoje meu salário é melhor porque eu tenho mais experiência. Mas sei lá, depende do foco de cada um, eu sempre fui mais pro lado LEZ GET DOWN 2 BUSINESS AHEUAHE O mercado de trabalho é competitivo sim, mas como eu falei, ter a ESPM no currículo ajuda bastante, e tem trabalho pra todo mundo que tá a fim. De verdade, todas as pessoas da minha sala se formaram trabalhando. Eu demorei uns meses fazendo entrevista até conseguir o primeiro emprego, mas consegui, e até hoje só fiquei 2 semanas desempregado. Já trabalhei em 4 lugares diferentes e em cada um eu fiz uma coisa. Eu acho que um dos motivos pra ter tanta oferta de emprego é que o curso é muito amplo. Eu trabalho com marketing digital, então já trampei com e-mail marketing, redes sociais, page online marketing, compra e venda de anúncio na internet, CRM, projetos digitais, já fui redator, fiz vaaaaaareeeaassss fitas em agências de publicidade e em empresas. E tenho amigos que se formaram comigo que trampam em coisas totalmente diferentes: pesquisa, marketing de empresas desde Johnson e Johnson até de baladas, diretores de arte, redatores, produtores de TV, fotógrafos, editores de vídeo, galera que trampa com eventos, atendimento em agência… Isso sem contar que, se tu escolher trabalhar em empresa, tem um milhão de opções de acordo com o teu gosto. Tu pode trabalhar com cerveja na Heineken ou com brinquedos na Mattel (eu tenho um brother que trabalha inventando jogos de tabuleiro pra Mattel HUAUH LOCO). Cara, nesse ponto não tenho o que falar de negativo, dá pra fazer o que quiser da vida kkkkk Dá uma base muito boa. Quanto ao salário, depende. Tu começar trabalhando de graça como assistente de arte numa agência de publicidade famosa ganhando nada (é, zero mesmo), ou fazer teu primeiro estágio numa empresa coxinha e começar com R$2000. Eu comecei com R$800 pila como estagiário numa agência e em menos de um ano eu tava ganhando o dobro. Mas isso que eu to falando de mercado de trabalho e salário é de São Paulo. Não sei como é em outros estados. O que eu sei é que em matéria de agência de publicidade, as principais do Brasil ficam em São Paulo. 

MANO TÁ GRANDE PRA CARALHO ESSE POST! Vou falar rapidão sobre a república e as festas, se vocês quiserem posso até fazer um post falando só disso depois. Eu sou de São Paulo mesmo, mas a casa dos meus pais ficava longe da faculdade e eu sempre quis morar sozinho. É meio surreal falar isso pra quem nunca morou em cidade grande, mas pelo menos em SP, dependendo de onde tu mora e estuda/trabalha, é surreal a quantidade de tempo que tu perde pra chegar de um lugar até outro. Por esses motivos eu resolvi que queria morar numa república perto da faculdade e convenci meus pais a bancarem meu aluguel por um tempo, até eu começar a trabalhar. Eles fizeram as contas do quanto eu ia gastar com transporte e do quanto morar fora ia ser bom pra mim, e toparam. Logo que eu comecei a trabalhar eu comecei a pagar o aluguel também. Era foda e ainda é foda ver teu salário indo embora no aluguel, que nunca é barato aqui em SP, mas vale muito a pena. Eu curto muito minha família e a casa dos meus pais, mas morar fora é muito bom, velho. Eu recomendo pra todo mundo. Não sei nem como falar isso, eu virei outra pessoa quase HUAUH Por mais zona que seja tua república, tu tem que ter responsabilidade pra pelo menos comprar tua comida pra não morrer e trocar a lâmpada quando ela queima kkk Mas falando do que interessa, o primeiro lugar em que eu morei foi indicado pela própria faculdade. Na faculdade mesmo tinha uma mulher lá na secretaria que ficava responsável por unir a galera que tinha quarto disponível com a galera que queria um quarto. Era só tu ir lá, cadastrar e esperar. Então eu nem conhecia o primeiro brother que dividiu apartamento comigo huauh Foi meio zuado porque o muleque era meio estranhão, não tinha amigo nenhum, umas fitas assim. É um risco que tu corre quando vai morar com alguém xis. Pode ser um serial killer e te esfaquear de noite. Eu morei 6 meses nesse ape, e depois eu me mudei pra uma república do lado da faculdade com mais 3 caras. Um deles eu conheci porque ele era amigo de um brother da minha sala, e aí os outros eu conheci quando me mudei. Eu morei nessa rep até o último ano da faculdade, e os caras que moraram lá mudaram várias vezes. Se pá vocês até lembram de alguns, tipo o Mateus, Bruno, o Felipe, que de vez em quando eu falava kkk Inclusive o Felipe da PQOGSPN foi inspirado nesse Felipe que morou na minha rep. E sei lá, não sei muito o que falar, era uma ZONA DO CARALHO SEMPRE AUEHAEUH A galera fumava maconha na sala todo dia, tinha louça até no teto, eu nunca arrumei minha cama em 4 anos, essas coisas HUAHUAHUA Eu teria que fazer um post só sobre isso pra falar de conta, aluguel, limpeza, essas fitas… Mas pra quem quer morar fora durante a faculdade: procura se na tua própria faculdade eles não têm uma ajuda tipo a minha tinha, procura também em grupo de Facebook que sempre tem essas fitas de aluga-se quarto, e more PERTO da faculdade. Minha vida era tipo a do Thom, chegava da festa e ainda podia dormir duas horinhas pra levantar 2 minutos antes e ir pra aula hahahah Era muito perto. Ah e sobre as festas, de verdade: eram exatamente como eu falo das festas da faculdade do Thom, Matt e Fred na web hahahah Examente… Tudo, as filas pra comprar ingresso, os lugares, os temas, o open bar, tudo eu escrevo pensando nas festas da minha faculdade. Não tem nem o que falar, tão entre as melhores festas de São Paulo hahahah E era igual na PQOGSPN, tem festa do DA, do CA e da Atlética, normalmente uma por semana. Além dessas festas, tinha cervejada umas 4 vezes por ano de sexta-feira das 14h até 2h da manhã e uns shows de rock de quinta-feira umas 4 vezes por ano também. Não tinha muita festa em república tipo tem em cidade universitária, que nem a do Batumapramim da Alícia HUAHU O esquema era mais balada e cervejada mesmo.

Resumindo então, a faculdade foi FODA, realmente deve ser uma das melhores fases da vida. Eu curti muito ter feito publicidade e recomendo pra quem tem os mesmos interesses que eu e que curte essa área de comunicação. Também recomendo muito a ESPM apesar do preço, é uma das melhores do país mesmo. Pra quem ainda não sabe o que fazer da vida, faz aquela fita de pensar em tudo que tu gosta e pesquisa muito, aproveita que tem toda a informação do mundo nessa maravilha que a gente conhece como internet. E cara, ESCREVAM ISSO NUM CARTAZ E COLEM NO TETO PRA LER TODO DIA, a vida não é uma linha reta em que as coisas vão acontecendo certinhas e dahorinhas… Eu que tenho míseros 3 anos de carreira já fiz uma caralhada de coisas e tenho muitos outros projetos, inclusive alguns que não têm nada a ver com o meu curso, tipo a PQOGSPN e outras coisas que eu quero fazer. Ultimamente por exemplo eu to metendo com edição de vídeo no meu trampo e até já arranjei uns freelas. O negócio é tu nunca estar satisfeito, tá ligado? Assim tu sempre procura melhorar e descobre coisas novas que tu nem sabia que gostava. Eu já falei pra vocês que eu nem sabia que curtia escrever histórias antes de começar com a PQOGSPN, e hoje eu praticamente trabalho com isso com meus livros de zé loco kkk O que eu quero dizer é que o teu curso da faculdade não vai definir todo o resto da tua vida. Então RELAAAAAAAAAAAXXXXXXXXXXXXX. Não vou falar que ‘no fim dá tudo certo’ porque o legal é não ter fim, liga? O certo é tu estudar, trabalhar e ir atrás do que tu gosta pra sempre ter alguma coisa nova pra aprender e fazer diferente. 

Ta um livro essa merda, mas se tiverem mais alguma dúvida ou quiserem que eu aprofunde em alguma coisa, falem aí! Eu curti escrever esse post kkk ESPERO QUE VCS CURTAM LER TB AMIGUINHOS To bebado de olhar pra tela ja

NEWZ FACULDADE: COMO EU ESCOLHI PUBLICIDADE, COMO É O CURSO, ESTÁGIO, REPÚBLICA, BLABLABLA

Hoje eu não vim falar de sexo, nem de dorgas nem de roquenrol… Vim falar de FACULDADE! =O Mas que fique claro que isso foi ideia de vocês mesmos kkk Na real faz uns CINCO anos que me pedem pra fazer esse post, mas só agora eu juntei informações suficientes (e lembrei) de postar. Vou responder aqui as coisas que mais me perguntam, principalmente sobre o curso que eu fiz (comunicação social/publicidade) e, se tiverem mais alguma dúvida, se foderam. To zuando, podem perguntar… Mas vou tentar responder tudo nesse post:

PRIMEIRO, já falei, mas repito: cursei comunicação social. Esse curso tem uma pá de outros nomes tipo publicidade, publicidade e propaganda, propaganda, propaganda e marketing, marketing… No fundo é tudo a mesma coisa. Claro que faculdades diferentes dão cursos minimamente diferentes, tem umas mais focadas em criação, outras em marketing, depende do foco e da especialidade de cada uma. A que eu escolhi, por exemplo, eu achei bem focada em marketing. Mas antes de falar como eu escolhi a faculdade, vou falar como eu escolhi o curso e ver se consigo ajudar vocês a escolherem também.

Três coisas que eu considerei pra escolher o curso: as matérias em que eu ia bem ou curtia na escola, o que eu curtia fazer fora da escola e assuntos pelos quais eu me interessava. Normalmente a galera só considera essa fita das matérias da escola, mas eu acho que não é o suficiente pra tu escolher uma faculdade ou profissão. Até porque tipo, pra ser sincero com vocês, eu não me dava BEM em merda nenhuma na escola tirando redação HAUHAHA Mas beleza, mandar bem e gostar de redação já era alguma coisa. E quando a aula de artes da escola não era sobre a HISTÓRIA DA FUCKING ARTE mas sim de criar arte, eu curtia também. Juntando isso às coisas que eu curtia fazer fora da escola (tipo filmar, editar vídeo, mexer com foto, desenhar) e assuntos que eu curtia (tipo cinema, música, festa, tecnologia), eu conseguia ter uma noção geral do caminho que eu queria seguir. E cara, eu não tive um momento de sentar e anotar todas essas coisas pra ficar analisando, foi meio natural. Mas acho que pode ser um exercício da hora pra quem tem muita dúvida. Tipo, pensa em TUDO que tu gosta de fazer, desde assistir documentário de ET até cuidar do teu cachorro. Não necessariamente tu vai virar um astronauta ou veterinário por causa disso, mas tu pode chegar à conclusão de que gosta de ciência e comunicação e fazer jornalismo, ou ver que tu tem jeito pra cuidar dos outros e fazer medicina. Sacou?

Percebendo meu jeito ~CRIATIVO, COMUNICADOR, ZÉ LOCO~, desde quando eu ainda era meio criança eu já ouvia adultos me falando que eu poderia gostar de fazer publicidade ou algo do tipo. Daí lá pela oitava série, quando a escola já começa a causar na tua pra escolher uma faculdade, eu fui pesquisar melhor sobre os cursos que me falavam e percebi que eu me encaixava mesmo na área de comunicação. Como eu também manjo desenhar (se pa vocês nem sabiam disso) e desde os 13 anos eu já viajava no Photoshop, também considerei fazer algum curso que tivesse a ver com design. E quando eu falo “fui pesquisar melhor”, eu fiz de tudo, tipo pesquisar no Google, comprar aquelas revistas Guia do Estudante, fazer teste vocacional (na internet mesmo), várias fitas assim. Uma coisa que eu não fiz mas acho uma boa é tu conversar com alguém que já fez o curso que tu quer fazer.

To ligado que não é fácil escolher um curso, mas a gente também não pode reclamar de falta de informação hoje. Tu coloca no Youtube “entrevista com psicólogo”, “como é o curso de psicologia”, aparece uma caralhada de coisa. Pra vocês terem uma noção, eu tinha dúvida entre vários cursos, então pesquisei todos: publicidade (dúvida entre publicidade, marketing, propaganda ou comunicação social?), jornalismo, cinema, rádio e TV, design (dúvida entre design gráfico, digital ou de interface digital?), fotografia, SEI LÁ. Falando assim parece que eu me matei, mas foi suave kkkk Tem uma época em que todo mundo tá falando sobre isso, eu só entrei na onda. Eu também fui em vários daqueles eventos que as escolas promovem com faculdades, liga? Que vão uns diretores e professores dar palestra sobre os cursos. Eu fui em uns quatro, acho. Pegava o folder do evento, anotava os horários das palestras dos cursos que eu tinha interesse e ia em todos. E foi numa dessas palestras, que inclusive foi dada por um dos caras da minha faculdade, que eu decidi fazer publicidade =D Não sei dizer exatamente qual foi o motivo porque faz tempo, mas eu lembro que a palestra foi muito boa, o cara era muito engraçado e ele mostrou a grade curricular do curso, que tinha aula de redação, cinema, fotografia, design, sei lá, todos os assuntos que eu curtia kkkk Aí eu falei É NÓIS ENTÃO CARA. 

Um parênteses aqui porque eu já veio fanzup falar disso comigo antes: NÃO DEIXEM OUTRAS PESSOAS ESCOLHEREM A FACULDADE POR VOCÊS! NÃÃÃÃ~~AO DEIXEEMMMMMMMM CARALHHOOO Na boa, foda-se se a tua família inteira é formada em medicina, que o sonho da tua mãe é que tu vire engenheiro, foda-se. Se teu pai usar o argumento “sou eu que vou pagar tua faculdade então tu vai cursar o que eu mandar”, então se mata e entra numa faculdade pública ou trabalha pra pagar a tua. Na moral, eu me formei ano passado depois de 4 anos e é muito foda imaginar como teria sido e como seria a minha vida se eu tivesse feito um curso que eu não queria. É bem foda isso, são QUAAAATROOO porra de anos se fudendo, e depois tem grandes chances de tu trabalhar com aquilo. Eu já me fudi fazendo o curso que eu queria, imagina se tivessem me obrigado a fazer um que eu não queria. Não façam isso, caras.

E outra, velho. Faculdade não é só pra tu arranjar um estágio e depois ser efetivado e comprar um ape e um carro e casar e ter filhos e pagar os impostos e lalalallalal Faculdade é uma experiência de vida, é pra tu crescer como pessoa, abrir tua cabeça, aumentar teu mundo, e não só mais um degrau em direção à vida adulta. Por isso é tão importante escolher um curso legal e que tem a ver contigo. Não tem que rolar só aquela preocupação de “oh meu deus TENHO que escolher um curso muito foda porque eu vou trabalhar com isso pro resto da vida”. Não só porque essa escolha não se limita a isso, mas também porque não é verdade. Tem uma galera que eu conheço que nem trabalha no que se formou. Eu trabalho com marketing, meu ex chefe era formado em matemática, meu chefe atual é formado em economia e um cara que trabalha comigo fez administração. Então, de verdade, mesmo que tu tiver esse medo de “escolher a faculdade errada e se fuder”, relaxa. Eu acredito que tudo TUDO TUDO que tu aprende pode ser aproveitado em qualquer área. Uma coisa é certa, se tu gosta do que faz, tu faz direito. Melhor fazer uma faculdade de jardinagem bem feita do que uma de medicina nas coxa.

Passada a brisa da lição de vida, vou falar sobre a minha faculdade kkkk Essa parte é mais interessante pra quem quer cursar publicidade, então se não é teu caso tu pode ir embora. Blz. Pra quem ficou: eu fiz faculdade na ESPM de São Paulo, sigla de Escola Superior de Propaganda e Marketing. Pra escolher foi a mesma fita dos cursos, eu pesquisei na internet e em revistas quais eram as melhores faculdades do Brasil no curso de publicidade e fui tirando minha conclusões. Na real esse negócio de A MELHOR FACULDADE DA PQP não quer dizer tanta coisa assim, acho mais interessante tu pesquisar como é o curso de cada faculdade. Eu por exemplo pesquisei no ORKUT KAKAKAK. Não lembro qual era a comunidade, mas o tópico era alguma coisa tipo “ESPM x Metodista” (outra facul de publicidade). Daí lá tinha a galera comentando como era o curso em cada uma, e tu percebe que cada lugar foca em uma coisa, tipo criação, ou marketing, ou outra coisa. Pesquisei e vi que eu queria fazer ESPM mesmo. Foi mal mas agora não sei falar pra vocês exatamente quais foram os motivos porque já faz tempo, mas levei em consideração a palestra que me ajudou e que foi dada por um cara da ESPM, as recomendações em revistas e sites, o fato dela ter como principal curso o de publicidade, ter professores famosos no mercado e por aí vai. 

Agora tirando as dúvidas sobre a ESPM pra quem tem vontade de fazer. A faculdade é privada e tem que prestar vestibular sim (até onde eu sei tu precisa prestar vestibular pra toda e qualquer faculdade, nem sei porque me perguntaram isso kkk). A prova não foi difícil pra mim, eu passei de primeira e não me matei de estudar. Mas, eu conheço BASTANTE gente que não passou. Na moral, bastante mesmo hauah Eu fiquei até sem entender como eu passei e outras pessoas não HUAUH Mas tipo, no vestibular deles não cai biologia, química, nem física, e gramática e redação têm peso 2. Peso 2 é quando a nota dessas matérias vale 2 vezes mais do que o resto da prova. Eu fui bem pra caralho em gramática (acertei 17 de 20) e tirei nove na redação. Depois eu descobri que tirar nove de redação num vestibular da ESPM é tipo escrever melhor que o Machado de Assis, então se pa fui bem HUAHUAUH To zuando, mas é uma parte importante pra caralho da prova e difícil de tirar nota boa. E aí acho que foi por isso que eu passei. Tem várias faculdades que seguem esse mesmo esquema de ter matérias mais importantes que outras no vestibular, e eu acho bem justo. É bom tu pesquisar antes como é o vestibular da faculdade que tu quer prestar. Outra coisa importante é que na ESPM foda-se quanto tu tirou no ENEM kkkk Não vale em nada pra tu passar.

Ah e o único vestibular que eu prestei foi o da ESPM. Na real, isso pode ser meio frustrante pra vocês, mas eu nunca fui o típico aluno vestibulando que se mata de estudar, fica estressado, se inscreve em todos os vestibulares do Brasil, viaja pra fazer prova… HUAUHAUH Foi muito suave, na moral. Mas acho que um dos principais motivos pra ter sido tão suave foi que eu pesquisei pra caralho pra escolher o curso e fui direto nele, sem precisar ficar me matando pra passar em mil coisas. Não critico quem presta todos os vestibulares do universo e sonha em passar em primeiro lugar na federal, mas eu tenho outros valores de vida kkk 

Voltando, a ESPM é uma faculdade privada/particular sim. To ligado que vai parecer que eu to falando isso só porque eu fiz faculdade particular, mas falo de coração pra vocês: saaaaiam dessa brisa errada de que toda faculdade pública é melhor que particular, ou que faculdade pública é mais difícil do que particular. É mais difícil passar no vestibular da pública porque tem mais gente concorrendo por vaga pra estudar de graça, mas não necessariamente o curso é melhor ou mais difícil. Isso depende MUITO do curso. Por exemplo, um curso de engenharia ou outro mais tradicional é melhor numa pública, mas um mais moderno e que depende de tecnologia tipo design digital é melhor numa particular. Deu pra sacar? Na moral, no Senac por exemplo ou mesmo na ESPM tem 9876786 salas com um iMac pra cada aluno. Não to desmerecendo uma USP da vida, mas é impossível ter esse tipo de coisa lá. Não to metendo o pau em nenhuma, até porque na USP também tem curso de publicidade e é bom, claro, mas até onde eu sei o foco é diferente do de uma particular. Enfim, pesquisem e tirem suas conclusões kkk

Ainda falando de pagar pela faculdade, sim, a ESPM é uma facada. Tipo, não tenho como amenizar ou falar de outro jeito, o curso lá é caro pra caralho e, sendo muito sincero, não tem como tu estudar e trabalhar ao mesmo tempo pra pagar. Quando eu entrei, a mensalidade era tipo R$2800 e agora já me falaram que tá chegando nos R$4000. Pra tu ganhar R$4000 de salário, tu tem que ter um puta dum emprego e ser formado em alguma coisa. Ou seja, não rola. Sem contar que tem muito muito muito trabalho pra fazer, principalmente nos dois primeiros anos do curso, então tu não tem tempo pra trabalhar pra tirar essa grana. Meus pais pagaram pra mim e eu não tenho por que ficar justificando isso pra vocês, assim como vocês também não tem por que ficarem me chamando de playboy e o caralhoa4. Quando eu entrei, não tinha como tu ganhar bolsa ou desconto. Hoje eu to ligado que na ESPM também tem FIES (pesquisem no Google porque eu não sei explicar direito kk) e outros projetos, então acho interessante quem quiser estudar lá pesquisar sobre isso, porque não é barato mesmo. 

Sobre o curso, tem mesmo aulas muito loucas tipo de cinema, fotografia, semiótica (essa é MUITO DAHORA), comunicação, psicologia, etc etc, mas também tem umas chatas pra caralho tipo estatística, economia e finanças. Faz parte. Uma coisa que eu não esperava e que eu não curtia muito na época mas hoje eu vejo que foi bom, era que o curso lá era muito focado em marketing. Muito mesmo. Em todos os semestres tem aula de marketing. Pra quem não curtia muito tipo eu, era chato pra cacete, principalmente no terceiro semestre que era difícil. Também não curtia muito as aulas de Pesquisa, e tem dois anos dessa matéria. Enfim, não vou mentir e falar que todas as aulas e professores foram bons o tempo inteiro… Mas como formação, foi muito bom sim. Tem o que melhorar ainda, mas eu achei o curso bem completo e abre muitas portas tu ter essa faculdade no currículo. E de verdade, tem uns professores muito fodas. Já tive aulas com dois que foram dar entrevista no Jô kkk Isso é muito dahora. Em relação a provas e trabalhos, tem muito mais trabalho do que prova. Tem trabalho pra CARALHO. Todo final de semestre era o mesmo inferno, eu ficava tipo duas semanas sem dormir pra conseguir fazer tudo. De verdade, eu ralei e estudei na faculdade tudo que eu varzeei na escola HUAUHA Na moral, ralei igual um fdp! O segundo semestre é um bang que não dá pra explicar kkk Se eu não me engano eu comecei a escrever a PQOGSPN no terceiro semestre, quando já tava mais suave. Mas o segundo foi o inferno na Terra. Só não foi mais foda que o TCC. 

Aí sobre trabalho, mercado de trabalho, essas coisas… A faculdade recomenda e meio que te força a trabalhar só a partir do terceiro ano. Antes disso, tem muito trabalho e prova pra fazer, justamente pra tu não ter tempo de trabalhar e te focar na faculdade. Eu fui RBD e comecei a trabalhar bem antes disso, mas foi escolha minha, e eu fui um dos poucos da sala a fazer isso. Tem o lado bom e o lado ruim. Amigos meus que só começaram a trabalhar no terceiro ano tiveram mais tempo pra curtir a faculdade, fazer parte da Atlética, essas coisas. Em compensação, eu comecei a ganhar dinheiro antes e hoje meu salário é melhor porque eu tenho mais experiência. Mas sei lá, depende do foco de cada um, eu sempre fui mais pro lado LEZ GET DOWN 2 BUSINESS AHEUAHE O mercado de trabalho é competitivo sim, mas como eu falei, ter a ESPM no currículo ajuda bastante, e tem trabalho pra todo mundo que tá a fim. De verdade, todas as pessoas da minha sala se formaram trabalhando. Eu demorei uns meses fazendo entrevista até conseguir o primeiro emprego, mas consegui, e até hoje só fiquei 2 semanas desempregado. Já trabalhei em 4 lugares diferentes e em cada um eu fiz uma coisa. Eu acho que um dos motivos pra ter tanta oferta de emprego é que o curso é muito amplo. Eu trabalho com marketing digital, então já trampei com e-mail marketing, redes sociais, page online marketing, compra e venda de anúncio na internet, CRM, projetos digitais, já fui redator, fiz vaaaaaareeeaassss fitas em agências de publicidade e em empresas. E tenho amigos que se formaram comigo que trampam em coisas totalmente diferentes: pesquisa, marketing de empresas desde Johnson e Johnson até de baladas, diretores de arte, redatores, produtores de TV, fotógrafos, editores de vídeo, galera que trampa com eventos, atendimento em agência… Isso sem contar que, se tu escolher trabalhar em empresa, tem um milhão de opções de acordo com o teu gosto. Tu pode trabalhar com cerveja na Heineken ou com brinquedos na Mattel (eu tenho um brother que trabalha inventando jogos de tabuleiro pra Mattel HUAUH LOCO). Cara, nesse ponto não tenho o que falar de negativo, dá pra fazer o que quiser da vida kkkkk Dá uma base muito boa. Quanto ao salário, depende. Tu começar trabalhando de graça como assistente de arte numa agência de publicidade famosa ganhando nada (é, zero mesmo), ou fazer teu primeiro estágio numa empresa coxinha e começar com R$2000. Eu comecei com R$800 pila como estagiário numa agência e em menos de um ano eu tava ganhando o dobro. Mas isso que eu to falando de mercado de trabalho e salário é de São Paulo. Não sei como é em outros estados. O que eu sei é que em matéria de agência de publicidade, as principais do Brasil ficam em São Paulo. 

MANO TÁ GRANDE PRA CARALHO ESSE POST! Vou falar rapidão sobre a república e as festas, se vocês quiserem posso até fazer um post falando só disso depois. Eu sou de São Paulo mesmo, mas a casa dos meus pais ficava longe da faculdade e eu sempre quis morar sozinho. É meio surreal falar isso pra quem nunca morou em cidade grande, mas pelo menos em SP, dependendo de onde tu mora e estuda/trabalha, é surreal a quantidade de tempo que tu perde pra chegar de um lugar até outro. Por esses motivos eu resolvi que queria morar numa república perto da faculdade e convenci meus pais a bancarem meu aluguel por um tempo, até eu começar a trabalhar. Eles fizeram as contas do quanto eu ia gastar com transporte e do quanto morar fora ia ser bom pra mim, e toparam. Logo que eu comecei a trabalhar eu comecei a pagar o aluguel também. Era foda e ainda é foda ver teu salário indo embora no aluguel, que nunca é barato aqui em SP, mas vale muito a pena. Eu curto muito minha família e a casa dos meus pais, mas morar fora é muito bom, velho. Eu recomendo pra todo mundo. Não sei nem como falar isso, eu virei outra pessoa quase HUAUH Por mais zona que seja tua república, tu tem que ter responsabilidade pra pelo menos comprar tua comida pra não morrer e trocar a lâmpada quando ela queima kkk Mas falando do que interessa, o primeiro lugar em que eu morei foi indicado pela própria faculdade. Na faculdade mesmo tinha uma mulher lá na secretaria que ficava responsável por unir a galera que tinha quarto disponível com a galera que queria um quarto. Era só tu ir lá, cadastrar e esperar. Então eu nem conhecia o primeiro brother que dividiu apartamento comigo huauh Foi meio zuado porque o muleque era meio estranhão, não tinha amigo nenhum, umas fitas assim. É um risco que tu corre quando vai morar com alguém xis. Pode ser um serial killer e te esfaquear de noite. Eu morei 6 meses nesse ape, e depois eu me mudei pra uma república do lado da faculdade com mais 3 caras. Um deles eu conheci porque ele era amigo de um brother da minha sala, e aí os outros eu conheci quando me mudei. Eu morei nessa rep até o último ano da faculdade, e os caras que moraram lá mudaram várias vezes. Se pá vocês até lembram de alguns, tipo o Mateus, Bruno, o Felipe, que de vez em quando eu falava kkk Inclusive o Felipe da PQOGSPN foi inspirado nesse Felipe que morou na minha rep. E sei lá, não sei muito o que falar, era uma ZONA DO CARALHO SEMPRE AUEHAEUH A galera fumava maconha na sala todo dia, tinha louça até no teto, eu nunca arrumei minha cama em 4 anos, essas coisas HUAHUAHUA Eu teria que fazer um post só sobre isso pra falar de conta, aluguel, limpeza, essas fitas… Mas pra quem quer morar fora durante a faculdade: procura se na tua própria faculdade eles não têm uma ajuda tipo a minha tinha, procura também em grupo de Facebook que sempre tem essas fitas de aluga-se quarto, e more PERTO da faculdade. Minha vida era tipo a do Thom, chegava da festa e ainda podia dormir duas horinhas pra levantar 2 minutos antes e ir pra aula hahahah Era muito perto. Ah e sobre as festas, de verdade: eram exatamente como eu falo das festas da faculdade do Thom, Matt e Fred na web hahahah Examente… Tudo, as filas pra comprar ingresso, os lugares, os temas, o open bar, tudo eu escrevo pensando nas festas da minha faculdade. Não tem nem o que falar, tão entre as melhores festas de São Paulo hahahah E era igual na PQOGSPN, tem festa do DA, do CA e da Atlética, normalmente uma por semana. Além dessas festas, tinha cervejada umas 4 vezes por ano de sexta-feira das 14h até 2h da manhã e uns shows de rock de quinta-feira umas 4 vezes por ano também. Não tinha muita festa em república tipo tem em cidade universitária, que nem a do Batumapramim da Alícia HUAHU O esquema era mais balada e cervejada mesmo.

Resumindo então, a faculdade foi FODA, realmente deve ser uma das melhores fases da vida. Eu curti muito ter feito publicidade e recomendo pra quem tem os mesmos interesses que eu e que curte essa área de comunicação. Também recomendo muito a ESPM apesar do preço, é uma das melhores do país mesmo. Pra quem ainda não sabe o que fazer da vida, faz aquela fita de pensar em tudo que tu gosta e pesquisa muito, aproveita que tem toda a informação do mundo nessa maravilha que a gente conhece como internet. E cara, ESCREVAM ISSO NUM CARTAZ E COLEM NO TETO PRA LER TODO DIA, a vida não é uma linha reta em que as coisas vão acontecendo certinhas e dahorinhas… Eu que tenho míseros 3 anos de carreira já fiz uma caralhada de coisas e tenho muitos outros projetos, inclusive alguns que não têm nada a ver com o meu curso, tipo a PQOGSPN e outras coisas que eu quero fazer. Ultimamente por exemplo eu to metendo com edição de vídeo no meu trampo e até já arranjei uns freelas. O negócio é tu nunca estar satisfeito, tá ligado? Assim tu sempre procura melhorar e descobre coisas novas que tu nem sabia que gostava. Eu já falei pra vocês que eu nem sabia que curtia escrever histórias antes de começar com a PQOGSPN, e hoje eu praticamente trabalho com isso com meus livros de zé loco kkk O que eu quero dizer é que o teu curso da faculdade não vai definir todo o resto da tua vida. Então RELAAAAAAAAAAAXXXXXXXXXXXXX. Não vou falar que ‘no fim dá tudo certo’ porque o legal é não ter fim, liga? O certo é tu estudar, trabalhar e ir atrás do que tu gosta pra sempre ter alguma coisa nova pra aprender e fazer diferente. 

Ta um livro essa merda, mas se tiverem mais alguma dúvida ou quiserem que eu aprofunde em alguma coisa, falem aí! Eu curti escrever esse post kkk ESPERO QUE VCS CURTAM LER TB AMIGUINHOS To bebado de olhar pra tela ja